Curitiba - O empresário Guilherme Afif Domingos (PFL), presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, poderá reaparecer no cenário político brasileiro no ano que vem. Ontem, ele esteve no Paraná lançando a campanha ''Quero Mais, Brasil'' (veja no caderno de Economia) e confessou que tem vontade de disputar novamente uma candidatura. Afif, que já foi deputado federal constituinte e disputou a presidência da República na campanha de 1989, diz que apenas dependerá do cenário político eleitoral do ano que vem e dos apoios políticos para se decidir.
''Estou há 16 anos fora das disputas eleitorais, mas nunca deixei de fazer política. Há vinte anos defendo as mesmas bandeiras: apoio à micro e pequena empresa e transparência tributária. Prova disto foi a criação do Simples na minha gestão como presidente do Sebrae. Acho que estamos vivendo um bom momento político e precisamos aproveitar essa lacuna para repensarmos o Brasil'', analisou ele. Afif foi candidato com o slogan ''Juntos chegaremos lá''. No Paraná, ele foi o mais votado dos candidatos (disputavam o pleito, entre outros, Fernando Collor de Mello, Leonel Brizola, Ronaldo Caiado, Luiz Inácio Lula da Silva).
''Naquela época se acreditava em moralidade na administração pública sem cobranças eleitorais. Agora, o último defensor da moralidade pública nacional demonstrou que era exatamente igual a todos os outros (se referindo a Lula). A dificuldade hoje do Congresso Nacional é a de punir os seus pares que cometeram práticas condenáveis socialmente e que ocorrem quando os políticos ocupam o poder. Nasce agora um espaço para um novo projeto, com participação popular consciente'', declarou Afif. O empresário culpou os eleitores e os segmentos organizados da sociedade pela falta de fiscalização.
''Se as coisas estão ruins é pela omissão das pessoas de bem. Não existe governo ruim com um povo organizado''. O economista e cientista político Amaury Souza analisou ontem o cenário econômico e político brasileiro e avaliou três tendências eleitorais para o ano que vem: 55% a 65% de chances de bipolarização de candidaturas (Lula e José Serra), 30% a 40% de chances de não haver polarização pela quantidade de candidaturas (fim de acordos e coligações em torno de apenas dois nomes), 5% de chances de uma eleição sem a presença de Lula.

mockup