Os empresários do Paraná não querem mais ser lembrados pelos políticos apenas na hora de financiar campanhas eleitorais. Eles querem participar mais do processo político em todo o Estado. A Associação Comercial do Paraná (ACP) divulgou ontem pela manhã, durante um almoço na sede em Curitiba, um manifesto defendendo a necessidade de uma reforma política no Brasil. A entidade pretende fazer lobby em Brasília e anunciar ainda nos próximos meses um documento geral sobre o assunto.
A primeira etapa, deflagrada ontem, tratou da fidelidade partidária, da implantação de cláusulas de desempenho para socializar a representação política nas casas legislativas, do voto distrital misto e do voto facultativo. Boa parte dos empresários paranaenses vê nestes itens um caminho melhor para a política brasileira. ‘‘O empresário não pode mais se tornar um cidadão apolítico. A ACP é apartidária e democrática’’, disse ontem o presidente da entidade, Jonel Chede.
Marcos Domakoski, vice-presidente da entidade e coordenador do Conselho Político, afirmou que os empresários querem um contato mais permanente com os políticos. ‘‘O alto nível de votos brancos, nulos e abstenções nessas últimas eleições, demonstra um desinteresse dos eleitores. Por isso é que resolvemos antecipar a discussão da reforma política’’, justificou ele, lembrando que a ACP batalha ainda em favor das reformas administrativa, tributária e trabalhista.
Para Domakoski, a fidelidade ‘‘aperfeiçoa’’ os partidos e serve como um alerta para os políticos que comumente trocam de partidos. Pela proposta, cuja cópia será entregue ao presidente Fernando Henrique e aos deputados federais e senadores do Paraná, o parlamentar que deixar o partido perde o mandato. ‘‘O voto distrital misto é o mais indicado para o exercício democrático’’, defende o manifesto divulgado ontem pela entidade.
O presidente do Conselho informou que, na próxima etapa, serão tratados os financiamentos de campanha feitos pela classe, o tamanho ideal das coligações e outros temas como o horário eleitoral. Domakoski disse que, antes de formular os primeiros pontos do documento, a ACP fez sondagens junto a líderes políticos. Dentre eles, os ex-ministros Borges da Silveira (Saúde) e Karlos Rischbieter; e o deputado federal eleito pelo PTB, Rubens Bueno.

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