Empresário quer mais ação na política
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terça-feira, 15 de dezembro de 1998
Leandro Donatti 
Os empresários do Paraná não querem mais ser lembrados pelos políticos apenas na hora de financiar campanhas eleitorais. Eles querem participar mais do processo político em todo o Estado. A Associação Comercial do Paraná (ACP) divulgou ontem pela manhã, durante um almoço na sede em Curitiba, um manifesto defendendo a necessidade de uma reforma política no Brasil. A entidade pretende fazer lobby em Brasília e anunciar ainda nos próximos meses um documento geral sobre o assunto.
A primeira etapa, deflagrada ontem, tratou da fidelidade partidária, da implantação de cláusulas de desempenho para socializar a representação política nas casas legislativas, do voto distrital misto e do voto facultativo. Boa parte dos empresários paranaenses vê nestes itens um caminho melhor para a política brasileira. O empresário não pode mais se tornar um cidadão apolítico. A ACP é apartidária e democrática, disse ontem o presidente da entidade, Jonel Chede.
Marcos Domakoski, vice-presidente da entidade e coordenador do Conselho Político, afirmou que os empresários querem um contato mais permanente com os políticos. O alto nível de votos brancos, nulos e abstenções nessas últimas eleições, demonstra um desinteresse dos eleitores. Por isso é que resolvemos antecipar a discussão da reforma política, justificou ele, lembrando que a ACP batalha ainda em favor das reformas administrativa, tributária e trabalhista.
Para Domakoski, a fidelidade aperfeiçoa os partidos e serve como um alerta para os políticos que comumente trocam de partidos. Pela proposta, cuja cópia será entregue ao presidente Fernando Henrique e aos deputados federais e senadores do Paraná, o parlamentar que deixar o partido perde o mandato. O voto distrital misto é o mais indicado para o exercício democrático, defende o manifesto divulgado ontem pela entidade.
O presidente do Conselho informou que, na próxima etapa, serão tratados os financiamentos de campanha feitos pela classe, o tamanho ideal das coligações e outros temas como o horário eleitoral. Domakoski disse que, antes de formular os primeiros pontos do documento, a ACP fez sondagens junto a líderes políticos. Dentre eles, os ex-ministros Borges da Silveira (Saúde) e Karlos Rischbieter; e o deputado federal eleito pelo PTB, Rubens Bueno.


