Empresário que fugiu com R$ 5 mi é citado por edital
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segunda-feira, 04 de fevereiro de 2002
Marta MedeirosEquipe da Folha 
Maringá - A Justiça Federal de Maringá citou por edital o empresário José Luiz Sander, proprietário da Tâmara Serviços de Limpeza e Principal Vigilância, desaparecido desde abril de 2001 depois de aplicar um golpe de R$ 5 milhões no próprio grupo de empresas. Sander está sendo processado à revelia pelo crime de apropriação indébita.
O juiz federal Edvaldo Mendes da Silva marcou o interrogatório de Sander para o dia 14 de fevereiro. Depois desse prazo, o Ministério Público Federal (MPF) pode pedir a prisão preventiva do empresário.
Sander responde o processo junto com o sócio da Principal Vigilância, Henrique Cesar Galli. Os dois são acusados pelo não pagamento de mais de R$ 247 mil em INSS, entre fevereiro e setembro de 2000. Na defesa apresentada por Galli, o sócio afirma que Sander era o responsável pela administração financeira da empresa e não sabe os motivos que o levaram a não pagar o tributo federal.
A Principal Vigilância era considerada uma das maiores empresas do setor no Paraná e tinha na carteira de clientes bancos como a Caixa Econômica Federal e o HSBC. Quando fugiu, o empresário deixou mais de 1.200 funcionários sem pagamento. A situação trabalhista só não ficou mais complicada porque a maioria foi reaproveitada pelas empresas que assumiram a vigilância dos ex-clientes da Principal. No mercado de prestação de serviços, a Tâmara também era reconhecida e mantinha contrato com estatais, como a Sanepar.
Segundo o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Londrina e região, Gabriel José Trindade, dos 1.200 funcionários, cerca de 600 eram vigias. Trindade lembra que parte do pagamento do pessoal foi garantido porque o sindicato conseguiu com uma ação na Justiça do Trabalho bloquear R$ 470 mil de faturas da Principal Vigilância. Deste total ainda restam R$ 149 mil que vão servir para pagar 500 trabalhadores. Na ocasião ficaram duas folhas de pagamento, mas neste segundo pagamento o pessoal vai receber apenas R$ 298,00, bem abaixo dos R$ 540,35 assinado em carteira, explicou o sindicalista.
Trindade disse que duas fazendas do empresário uma de 500 alqueires localizada em São José dos Pinhais (PR) e outra de 1,2 mil alqueires em Tocantis foram indisponibilizadas pela Justiça. Conquistamos estas fazendas para tentar garantir o pagamento dos direitos trabalhistas, afirmou.


