Os catadores da Cooperativa Regional de Coleta Seletiva e Reciclagem da Região Metropolitana de Londrina (Cooprelon) negam que o empresário Ludovico Bonato, que está preso há mais de 30 dias, acusado de corrupção e formação de quadrilha, por suposta participação em esquema de compra de votos na Câmara, faça parte da administração da entidade. Há cerca de três 3 meses, antes de ser preso em flagrante pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Bonato passou a ser visto com frequência na cooperativa e chegou até a se declarar como representante da Cooprelon, durante um protesto realizado por catadores. O empresário também faz referência à ‘‘minha cooperativa’’, durante conversa com o irmão Sergio, gravada pelo Gaeco com autorização judicial, onde Ludovico demonstra estar preocupado com a situação financeira da cooperativa (veja mais nesta página).
  O conselheiro fiscal da Cooprelon e catador Odair Rodrigues, mais conhecido como Dário, afirmou que conheceu Bonato quando o empresário o procurou com a proposta de escrever um livro. ‘‘O que eu sei é que ele veio da Itália e que um amigo dele disse sobre mim, que tinha uma história legal para escrever e ele veio aqui me procurar. Eu não conhecia o passado dele’’, afirmou Dário. A história que teria despertado o interesse, segundo o catador, ‘‘é de muita luta, desde o tempo que me livrei do vício e comecei o meu trabalho catando o material com uma carroça há uns 12 anos’’.
  Dário reconheceu, durante entrevista ontem à FOLHA, que ‘‘a imagem da cooperativa está sendo prejudicada com esta história’’. Ele afirmou não saber por que Bonato teria feito referência a Cooprelon. ‘‘Na cooperativa ele não tem nada, não administra nada e não tirou dinheiro nenhum daqui e a Cooprelon não vai defender o Bonato’’.
  A cooperativa - contratada sem licitação pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) - começou a funcionar de forma irregular, já que presidente e diretor não eram catadores de baixa renda, o que é proibido pela Lei de Licitações (Lei 8.666/93, alterada pelo Plano Nacional de Saneamento - Lei 11.445/07). O endereço da cooperativa constante do alvará de funcionamento era o mesmo de uma empresa que utiliza como matéria prima produtos recicláveis. Após a denúncia, o diretor Erlandes Silva, desligou-se - pelo menos formalmente - da cooperativa. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público investiga as supostas irregularidades. A diretora da Cooprelon, Selma Assis prestou depoimento ao Gaeco na sexta-feira, mas não revelou o teor das declarações.
  A reportagem não conseguiu falar com o advogado de Ludovico Bonato. O celular do presidente da Cooprelon, Maurício Montezini, estava desligado.

Investigação
  Conforme a investigação do Gaeco, Bonato agia a mando do ex-secretário de Governo Marco Cito - preso desde o dia 24 de abril - quando negociava com o vereador Amauri Cardoso (PSDB) o pagamento de propina para que votasse contra a abertura da Comissão Processante (CP) da Centronic. Além de Bonato e Cito, foram denunciados por corrupção e formação de quadrilha, o chefe de Gabinete da Prefeitura, Rogério Lopes Ortega (preso), o ex-presidente da Sercomtel Roberto Coutinho Mendes, o ex-diretor da empresa Alysson Tobias de Carvalho (preso) e o vereador Eloir Valença (PHS).

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