Operação ZR3 foi deflagrada em 24 de janeiro, e um mês depois Justiça em Londrina determinou a prisão de três dos 13 réus envolvidos
Operação ZR3 foi deflagrada em 24 de janeiro, e um mês depois Justiça em Londrina determinou a prisão de três dos 13 réus envolvidos | Foto: Gina Mardones/24-01-2018



Depois de uma semana, o empresário Vander Mendes Ferreira deixou a CCL (Casa de Custódia de Londrina). Ele foi preso no dia 28 do mês passado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) durante desdobramentos da Operação ZR3, que investiga um suposto esquema de corrupção para mudanças específicas de zoneamento em Londrina. O habeas corpus, em caráter liminar, foi concedido na noite de quarta-feira (7) pelo desembargador Luis Carlos Xavier, da 2ª Câmara Criminal do TJ-PR (Tribunal de Justiça).

O relator não concordou com a decretação da prisão preventiva concedida pelo juiz da 2ª Vara Criminal, Delcio Miranda da Rocha, alegando que as medidas cautelares aplicadas inicialmente ao réu, como a instalação da tornozeleira eletrônica, não foram descumpridas. O desembargador também pontuou que o Ministério Público não comprovou fatos novos à denúncia original. "Competia ao mesmo oferecer eventual aditamento a esta a fim de incluir a alteração na situação fática anteriormente narrada, e no caso não se verifica que tenha sido oferecido", escreveu Xavier.

Mesmo solto, ele voltará a cumprir condições impostas pela Justiça, como o retorno do monitoramento, ficar em casa durante o período noturno (22h às 6h), não manter contato com os outros denunciados na ZR3 e não acessar a Câmara Municipal, o prédio da prefeitura e as dependências do Conselho Municipal das Cidades.

Com a decisão favorável a Ferreira, as defesas dos outros dois réus na operação que estão presos preventivamente também entraram com a revogação da prisão. O advogado do empresário Luiz Guilherme Alho, Luciano Molina, protocolou nesta quinta-feira (8) pedido de habeas corpus extensivo, nos fundamentos da liminar de Ferreira.

Molina aguarda ainda resposta sobre outro pedido de revogação da prisão feito na justiça em primeiro grau. "O juiz foi levado ao erro, já que não houve aditamento da denúncia e nenhum fato novo. Até hoje o Gaeco não devolve o processo. Eles estão agindo como parte acusatória e não como fiscal da lei", rebateu.

A defesa do ex-servidor municipal Ossamu Kamanigakura também entrou com pedido para revogação da preventiva na 2ª Vara Criminal e com HC no TJ. "Não há necessidade da prisão, já que as medidas diversas são suficientes para evitar prejuízo ao processo", argumentou o advogado Gabriel Bertin. Até esta sexta, os advogados do réus devem concluir a defesa prévia e apresenta-la à Justiça.

Denúncia
Vander Ferreira foi denunciado pelo MP (Ministério Público) por corrupção ativa e organização criminosa, acusações que foram rebatidas pela defesa. "O Vander trabalha com a regularização de licenças de loteamentos na cidade e nunca integrou nenhum grupo corrupto. Além disso, sequer pagou qualquer tipo de vantagem para agentes públicos", disse o advogado Alfeu Brassaroto.

O empresário, junto com Kaminakagura, e o ex-integrante do CMC, Luiz Guilherme Alho, foi levado para a PEL 1, no conjunto Cafezal, mas ele acabou sendo transferido para a CCL nos últimos dias.

RECURSOS
O promotor do Gaeco, Leandro Antunes, informou que o MP ainda não havia analisado o conteúdo do Habeas Corpus, mas disse que vê com tranquilidade a decisão judicial. "O Ministério Público poderá dar um parecer para entrar com recursos cabíveis em Curitiba", resumiu. Ele não quis comentar o argumento utilizado pelo magistrado de falta de alteração na situação fática para o pedido de prisão. Ao propor a preventiva de três integrantes da suposta organização criminosa o Gaeco argumentou que havia fatos novos que reforçaram a medida: "Demonstram reiteração delitivas. Ou seja, que eles estavam cometendo crimes em série", disse Antunes no dia da prisão. O promotor alegou que a soltura do réu não tratá precedentes para liberação dos demais presos.

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