Empresário preso na ZR3 ganha habeas corpus do TJ
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quinta-feira, 08 de março de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
Depois de uma semana, o empresário Vander Mendes Ferreira vai deixar a CCL (Casa de Custódia de Londrina). Ele foi preso no dia 28 do mês passado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) durante desdobramentos da Operação ZR3, que investiga um suposto esquema de corrupção para mudanças específicas de zoneamento em Londrina. O habeas corpus em caráter liminar foi concedido depois das 19h desta quarta-feira (7) pelo desembargador Luis Carlos Xavier, da 2ª Câmara Criminal do TJ-PR (Tribunal de Justiça).

O relator não concordou com a decretação da prisão preventiva pelo juiz da 2ª Vara Criminal, Delcio Miranda da Rocha, alegando que as medidas cautelares aplicadas inicialmente ao réu, como a instalação da tornozeleira eletrônica, não foram descumpridas. A defesa, representada pelos advogados André Salvador e Alfeu Brassaroto Júnior, citou que Ferreira "é casado, pai de família, tem profissão e bons antecedentes". Mesmo solto, ele voltará a cumprir condições impostas pela Justiça, como o retorno do monitoramento, ficar em casa durante o período noturno (22h às 6h), não manter contato com os outros denunciados na ZR3 e não acessar a Câmara Municipal, o prédio da prefeitura e as dependências do Conselho Municipal das Cidades.
Ferreira foi denunciado pelo Ministério Público por corrupção ativa e organização criminosa, acusações que foram rebatidas pela defesa. "O Vander trabalha com a regularização de licenças de loteamentos na cidade e nunca integrou nenhum grupo corrupto. Além disso, sequer pagou qualquer tipo de vantagem para agentes públicos", disse Brassaroto. O empresário, junto com o servidor da Secretaria de Obras, Ossamu Kaminakagura, e o ex-integrante do CMC, Luiz Guilherme Alho, foi levado para a PEL 1, no conjunto Cafezal, mas ele acabou sendo transferido para a CCL nos últimos dias.
Até esta sexta, os advogados do réu devem concluir a defesa prévia. A tese será remetida posteriormente à 2ª Vara Criminal, onde corre o processo da ZR3. Dois investigados na operação, a ex-presidente do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina), Ignês Dequech, e o ex-secretário do Ambiente, Cleuber Brito, na gestão Alexandre Kireeff, conseguiram na Justiça a revogação da tornozeleira. Nesta semana, a Justiça indeferiu pedido de devolução de quase R$ 300 mil apreendidos na casa de Luiz Alho durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. O advogado Luciano Molina, que defende o empresário, questionou a decisão. "Hoje, é proibido deixar dinheiro embaixo do colchão. O dinheiro vem do faturamento da empresa dele. Declarei tudo na Receita Federal, mas não adiantou", disse.


