Empresário nega pagamento a vereador
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quinta-feira, 09 de outubro de 2014
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Um dos donos da empresa Juntas Santa Cruz, Carlos Castilho, afirmou ontem, em discurso durante a sessão da Câmara Municipal de Londrina (CML), que não houve qualquer irregularidade no processo de doação de área pública de 1,9 mil metros quadrados para a expansão da fábrica de juntas automotivas, localizada no Parque das Indústrias Leves.
Ele fazia referência à denúncia não formalizada de outro empresário, Hilderlei Lessa, de que donos da Juntas Santa Cruz teriam pago R$ 150 mil ao vereador Gaúcho Tamarrado (PDT) para obter a aprovação na CML do projeto de lei (PL) que autorizava a doação.
Ao saber da suspeita, o Executivo, autor do PL, solicitou a interrupção da tramitação da matéria, já aprovada em primeiro turno, enquanto tudo não for esclarecido. A Comissão de Ética da CML vai investigar o caso por meio de um procedimento formal preliminar de apuração já instaurado. O primeiro a ser convocado para depor, provavelmente na semana que vem, é o denunciante.
Castilho, assim como Tamarrado, também registrou boletim de ocorrência contra Lessa, sob a acusação por crimes de calúnia, injúria e difamação. "Houve leviandade de algumas pessoas. Espero que a Câmara e a polícia apurem realmente a verdade dessa situação. Não houve problema nenhum no processo", declarou em plenário.
Lessa, em entrevista à FOLHA ontem, disse que não fez acusações, mas que ouviu muitos comentários no bairro sua empresa de segurança privada também está localizada no Parque das Indústrias Leves de que teria havia pagamento de propina. "Antes de o projeto ser aprovado, resolvi cumprir com minha obrigação de cidadão e fazer o alerta para que investigassem a suspeita. Não acusei ninguém. Não tenho prova nenhuma. O que sei é que há muitos comentários no bairro e que o vereador Gaúcho estava frequentemente na empresa que receberia a doação", disse, acrescentando que hoje irá fazer o mesmo "alerta" ao Ministério Público.
Castilho disse que efetivamente Tamarrado esteve em sua empresa em algumas ocasiões, sendo algumas delas para tratar do PL que previa a doação. "Nossa primeira solicitação de doação foi à prefeitura. O prefeito e o presidente da Codel foram à nossa empresa e viram a necessidade de ampliação. E depois disso o Gaúcho esteve algumas vezes, prestando algum tipo de informação que a gente precisa saber como estava o processo de aprovação do projeto". Tamarrado também pediu votos aos funcionários da empresa assim como vários outros candidatos, disse Castilho. "Mas não fazemos doações de campanha, porque não é nosso perfil".
A Juntas Santa Cruz foi fundada em Londrina em 1978 e, segundo Castilho, emprega 98 funcionários. Com a doação do novo terreno, avaliado em R$ 658 mil, a intenção é gerar mais dez empregos diretos. Metade desta área já havia sido doada à empresa em 2008, mas, reverteu-se ao município dois anos depois, já que a edificação não foi feita porque a empresa não teve condições financeiras para a expansão.


