Um dos donos da empresa Juntas Santa Cruz, Carlos Castilho, afirmou ontem, em discurso durante a sessão da Câmara Municipal de Londrina (CML), que não houve qualquer irregularidade no processo de doação de área pública de 1,9 mil metros quadrados para a expansão da fábrica de juntas automotivas, localizada no Parque das Indústrias Leves.
Ele fazia referência à denúncia não formalizada de outro empresário, Hilderlei Lessa, de que donos da Juntas Santa Cruz teriam pago R$ 150 mil ao vereador Gaúcho Tamarrado (PDT) para obter a aprovação na CML do projeto de lei (PL) que autorizava a doação.
Ao saber da suspeita, o Executivo, autor do PL, solicitou a interrupção da tramitação da matéria, já aprovada em primeiro turno, enquanto tudo não for esclarecido. A Comissão de Ética da CML vai investigar o caso por meio de um procedimento formal preliminar de apuração já instaurado. O primeiro a ser convocado para depor, provavelmente na semana que vem, é o denunciante.
Castilho, assim como Tamarrado, também registrou boletim de ocorrência contra Lessa, sob a acusação por crimes de calúnia, injúria e difamação. "Houve leviandade de algumas pessoas. Espero que a Câmara e a polícia apurem realmente a verdade dessa situação. Não houve problema nenhum no processo", declarou em plenário.
Lessa, em entrevista à FOLHA ontem, disse que não fez acusações, mas que ouviu muitos comentários no bairro – sua empresa de segurança privada também está localizada no Parque das Indústrias Leves – de que teria havia pagamento de propina. "Antes de o projeto ser aprovado, resolvi cumprir com minha obrigação de cidadão e fazer o alerta para que investigassem a suspeita. Não acusei ninguém. Não tenho prova nenhuma. O que sei é que há muitos comentários no bairro e que o vereador Gaúcho estava frequentemente na empresa que receberia a doação", disse, acrescentando que hoje irá fazer o mesmo "alerta" ao Ministério Público.
Castilho disse que efetivamente Tamarrado esteve em sua empresa em algumas ocasiões, sendo algumas delas para tratar do PL que previa a doação. "Nossa primeira solicitação de doação foi à prefeitura. O prefeito e o presidente da Codel foram à nossa empresa e viram a necessidade de ampliação. E depois disso o Gaúcho esteve algumas vezes, prestando algum tipo de informação que a gente precisa saber como estava o processo de aprovação do projeto". Tamarrado também pediu votos aos funcionários da empresa assim como vários outros candidatos, disse Castilho. "Mas não fazemos doações de campanha, porque não é nosso perfil".
A Juntas Santa Cruz foi fundada em Londrina em 1978 e, segundo Castilho, emprega 98 funcionários. Com a doação do novo terreno, avaliado em R$ 658 mil, a intenção é gerar mais dez empregos diretos. Metade desta área já havia sido doada à empresa em 2008, mas, reverteu-se ao município dois anos depois, já que a edificação não foi feita porque a empresa não teve condições financeiras para a expansão.

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