Empresário nega envolvimento com propinas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de julho de 2002
Alexandra Penhalver<BR>Agência Estado 
Santo André - A CPI da Câmara de Santo André que investiga o suposto esquema de arrecadação irregular de dinheiro na prefeitura daquela cidade ouviu, ontem de manhã, o depoimento do empresário Ronan Maria Pinto, apontado pelo Ministério Público Estadual de fazer parte da ''quadrilha organizada estável'' que teria assumido o controle da máquina administrativa nos últimos cinco anos. No depoimento, o empresário confirmou que o gerente da Nova Santo André, Irineu Nicolino, recolhia quantias em dinheiro ou cheques dos sócios da empresa, mas negou que os pagamentos tenham sido propinas. ''Eram um aporte financeiro já que a empresa estava em dificuldade e não tinha como pagar despesas de áreas. Então, como ele era gerente, ia buscar o dinheiro'' disse Ronan.
De acordo com o empresário, a quantia mensal de R$ 100 mil recolhida entre os sócios da Expresso Nova Santo André, era referente ao pagamento de 23 parcelas que restavam da dívida da compra da concessão da empresa de transportes municipais da cidade. ''A concessão onerosa custou R$ 7 milhões; 4,2 milhões foram pagos à vista, outros 500 mil no 18 mês do contrato e a partir daí, 23 parcelas de 100 mil'' explicou Ronan.
Na última quinta feira, o empresário João Antônio Setti Braga disse à CPI que Ronan, teria recolhido os R$ 100 mil mensais como ''custo extra'' e que teria sido o intermediário entre a empresa e a prefeitura. ''Isso é uma mentira, não sou intermediário de nada'' disse Ronan. Apesar disso, o empresário confirmou que manteve conversas com Klinger, na época secretário, sobre as necessidades das empresas de transportes, como preços de tarifas e linhas de ônibus.


