Em depoimento dado a integrantes do Ministério Público (MP) de Campinas, que durou três horas e meia, o empresário Willian Walder Sozza, negou ontem as acusações de que seria o líder de uma quadrilha de tráfico de drogas e armas que atuava a partir do interior paulista, com conexões em oito estados brasileiros. ‘‘O empresário negou todas as acusações que pesam sobre ele, como roubo de cargas e narcotráfico e não forneceu informações relevantes’’, disse o promotor Ricardo Silvares.
O depoimento - que também contou com a participação do promotor Fernando Viana - foi tomado na sede do Denarc em São Paulo, onde Sozza está preso desde anteontem, após ter sido detido na sexta-feira à noite na cidade de Porto Ferreira, a 230 quilômetros de São Paulo, portando documentos falsos. Sozza estava sendo procurado há um ano por causa de um mandado de prisão expedido pela Justiça do Maranhão, onde é acusado de ser um dos mandantes da morte do delegado Stênio José Mendonça, assassinado quando investigava quadrilhas de roubo de cargas que agiam no Estado.
Ricardo Silvares afirmou que, em nenhum momento, Sozza caiu em contradição em suas informações. ‘‘O empresário disse que o motorista Jorge Méres trabalhou para ele em uma de suas empresas, a Dog Center, mas que depois não soube o que ele fez.’’. O motorista acusou Sozza, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, de liderar o esquema de roubos de cargas e tráfico de drogas. Segundo Méres, as cargas roubadas eram trocadas por cocaína proveniente da Bolívia ou armas.
O promotor disse que Sozza afirmou ‘‘ter sido envolvido’’ pelo motorista para dar credibilidade ao depoimento e que o empresário negou conhecer o traficante Luiz Fernando da Costa, o ‘‘Fernandinho Beira Mar’’, o ex-deputado Hildebrando Paschoal e o deputado federal Augusto Farias (PPB-AL), todos citados pela CPI do Narcotráfico.
Silvares informou que o próximo passo do Ministério Público de Campinas será checar o volume dos negócios e os depósitos do empresário, além de pedir novas quebras de sigilo bancário de Sozza e ouvir pessoas envolvidas no caso.
Sozza será ouvido hoje pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Roubo de Carga, no Departamento Estadual sobre Investigações de Narcóticos (Denarc) de São Paulo. A informação foi divulgada por policiais do Denarc. A decisão de convocar Sozza foi tomada em consultas de urgência feitas entre os parlamentares que integram a CPMI e foi anunciada pelo deputado federal Robson Tuma (PFL-SP).

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