O sócio-proprietário da Construtora Triunfo e da Triunfo Participações e Investimentos Ltda., que detém 49,99% das ações da Empresa Concessionária de Rodovias do Norte (Econorte), Luiz Fernando Wolff de Carvalho, é o que encaminhou a maior doação para a campanha do deputado federal eleito pelo PT, André Vargas.
A Econorte opera três praças de pedágio no Paraná (Jataizinho, Jacarezinho e Sertaneja) e teve os contratos verificados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Pedágio, instaurada pela atual legislatura da Assembléia Legislativa e presidida por Vargas. A CPI, realizada no primeiro semestre de 2003, não detectou qualquer irregularidade nos contratos firmados entre o governo do Estado e seis concessionárias.
A Construtora Triunfo ainda é citada no relatório aprovado em julho deste ano pelo plenário do Tribunal de Contas da União (TCU), por irregularidades no processo licitatório para a construção do trecho rodoviário no Corredor Mercosul - BR-487/PR, entre Porto Camargo e Campo Mourão.
O relatório assinado pelo ministro do TCU Augusto Nardes, afirma que ''restou comprovada a existência de conluio entre as duas empresas (entre elas a Triunfo), objetivando fraudar a licitação pública objeto destes autos''. O TC ainda recomenda a manutenção do bloqueio orçamentário da obra até que o tribunal se manifeste definitivamente sobre a matéria. Carvalho também respondeu a uma ação penal por irregularidades fiscais.
Irritado com o questionamento da reportagem, Vargas disse desconhecer os fatos envolvendo o empresário. ''Não sabia desses detalhes (participação da Triunfo em ações da Econorte). Conheço ele (Carvalho) e ele me fez uma doação de R$ 30 mil. Não vou declarar nada'', afirmou.
Após tecer várias críticas à FOLHA e ante a insistência da reportagem, Vargas negou qualquer ''compromisso'' com o empresário. ''Quando recebi essa doação eu não estava presente, estava em campanha. O pessoal da minha campanha recebeu, eles me ligaram me perguntaram se poderiam receber a doação da pessoa física e eu disse que sim. Não vou fazer levantamento (da vida do doador), é uma pessoa física. Achei o valor razoável e não tenho compromisso nenhum com ele e nem ele comigo. Agora a FOLHA resolveu dissecar a minha prestação de contas e eu desejo que faça isso com os demais (candidatos) também'', contestou. ''É uma doação legal. Se fosse algo que gostaria de esconder não teria declarado.''
A reportagem tentou entrar em contato com o empresário na Construtora Triunfo, mas através da secretária ele afirmou que não trataria de ''assuntos relacionados à pessoa física na empresa''. Carvalho também não retornou a ligação.
Além de Vargas, a campanha do deputado federal eleito Reinhold Stephanes (PMDB) também recebeu recursos da Construtora Triunfo. Ex-secretário de Administração e de Planejamento e Coordenação Geral no atual governo de Roberto Requião (PMDB), a prestação de contas de Stephanes registra R$ 7 mil doados pela empresa. (C.O.)

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