Empresário ligado a Serra será processado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de setembro de 2002
Agência Estado 
Brasília O procurador da República no Distrito Federal Luiz Francisco de Souza adiou para hoje o ajuizamento do processo, na Justiça Federal, contra o ex-diretor do Banco do Brasil (BB) Ricardo Sérgio Oliveira, o ex-presidente do BB Paulo Cézar Ximenes, o empresário Wladimir Antônio Violi e Gregório Marín Preciado, marido de uma prima do candidato a presidente, José Serra (PSDB-PMDB).
O Ministério Público Federal (MPF) pedirá também a abertura de um inquérito policial pela Polícia Federal (PF) contra estes acusados de apropriação indébita. O processo e o inquérito destinam-se a apurar denúncias de cobrança de propina na privatização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e do Sistema Telebrás por Oliveira e também perdões em financiamentos feitos a Preciado pelo BB e Banespa. Os prejuízos causados aos cofres públicos chegariam a R$ 73 milhões.
Francisco de Souza afirmou ontem que há indícios da participação de Serra nos fatos a serem apurados, mas admitiu que não possui qualquer documento comprovando isso. ''Serra não entrou como beneficiário, e não temos nenhum documento que aponte a sua interferência'', admitiu o procurador federal. ''Agora, ele pode vir a entrar na ação principal, se seu nome figurar em algum documento.''
Ele insistiu no fato de que o candidato tucano à Presidência omitiu, nas declarações de bens feitas à Justiça Eleitoral em 1994, 1996 e 2002 e, também, na de rendimentos à Receita Federal, a existência de uma empresa que teria tido em sociedade com Violi.
Sobre a ameaça de Serra de processá-lo, Souza disse que outros investigados também tiveram gestos semelhantes. ''Um bando de gente falou a mesma coisa, mas não fez'', ironizou. O procurador da República no Distrito Federal negou ainda que a ação, que se arrasta há cerca de três meses, mas somente agora é aberta, tenha como propósito beneficicar o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Francisco de Souza, a ligação dele com o PT acabou em 1993, quando se desfiliou do partido para entrar no Ministério Público. ''Desfiliei-me em 1993, mas só em 1995 isso foi concretizado pelo partido, e somente em 1998 é que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do DF o confirmou'', disse. ''Mas isso tudo foi por mim relatado ao Conselho Superior do Ministério Público Federal.''


