Empresário Joel Malucelli se apresenta no Gaeco; Beto e esposa devem ser ouvidos nesta sexta
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sexta-feira, 14 de setembro de 2018
Vitor Struck, Isabela Fleishmann e Mariana Franco Ramos<br>Reportagem local 

O coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), Leonir Batisti, confirmou na manhã desta sexta-feira (14) que o empresário Joel Malucelli, um dos 15 investigados na Operação Rádio Patrulha, se apresentou. Malucelli estava em viagem e era considerado foragido desde a manhã desta terça-feira (12) quando a Operação foi deflagrada e o ex-governador e candidato ao Senado Beto Richa (PSDB), sua esposa, irmão e primo, investigados pelo Ministério Público, foram presos temporariamente.
"Depois da conclusão dos depoimentos nós deveremos fazer as análises e eventualmente ver as medidas, ainda não estão definidas, mas quem sabe a própria denúncia ou outras medidas que ainda não temos definido", afirmou Batisti.
O coordenador do Gaeco também confirmou que Beto Richa e a esposa e ex-secretária de Estado da Família e Desenvolvimento Social, Fernanda Richa, devem ser ouvidos ainda nesta sexta. Os dois tiveram o pedido de Habeas Corpus negado pela ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Laurita Vaz.
O ex-secretário de Assuntos Estratégicos, Edson Casagrande, que se apresentou na quinta-feira (13) ao Gaeco, também deve prestar depoimento nesta sexta.
"No dia de ontem (quinta) nós ouvimos como declarantes na investigação o André Richa, assim como o representante da Contran, o senhor Bruno. Também ontem nós ouvimos Dirceu Puppo, Pepe Richa, o Aldair que é o Neco do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) à época e também o empresário Celso Frare", explicou.
Também nesta quinta-feira, o empresário Luiz Abi Antoun, primo de Beto Richa, foi ouvido pelo coordenador do Gaeco em Londrina Jorge Barreto. De acordo Barreto a investigação aponta que Abi seria uma espécie de ponte entre empresários e agentes públicos. "A ideia é que ele seria a ponte, participava das negociações e repassava o dinheiro. Mas as investigações estão em andamento ainda e estão sendo conduzidas pelo Gaeco de Curitiba", explicou.
Corrupção ativa e passiva com eventual coautoria e lavagem de dinheiro são as hipóteses da investigação, de acordo com Barreto. Durante busca e apreensão na empresa de Antoun, Alumpar Alumínios, o Gaeco encontrou R$ 370.558,00 em espécie além de U$ 2.700 e 80 euros. Celulares, documentos e computadores da residência do empresário e da Alumpar também foram levados para investigação. Abi negou o envolvimento.
Rádio Patrulha
A investigação do Gaeco apura fraudes e pagamentos de propina a agentes políticos por intermédio do Programa Patrulha Rural, executado durante a primeira gestão de Beto Richa. Como o caso está sob sigilo, Leonir Batisti alega que não pode detalhar as suspeitas que recaem sob cada um dos citados. A ação foi deflagrada no mesmo dia em que a Lava Jato lançou a Operação Piloto, resultado de apurações sobre ilegalidades nas obras da PR-323. Neste caso, só houve determinação de buscas e apreensões na casa do ex-governador. "Piloto" era o codinome atribuído a Richa na planilha de propinas do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht.


