Empresário indica provas contra sanguessugas
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quinta-feira, 20 de julho de 2006
Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Brasília - Em depoimento à Justiça Federal de Mato Grosso, o empresário Luiz Antonio Trevisan Vedoin, um dos donos da Planam, principal empresa do esquema dos sanguessugas, apresentou provas incriminando 54 parlamentares, que teriam recebido propina em troca de apresentação de emendas ao Orçamento para compra superfaturada de ambulâncias. A informação é do vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Sanguessugas, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), ao fazer um balanço do envolvimento dos 105 parlamentares apontados por Vedoin como integrantes da máfia das ambulâncias.
Segundo Jungmann, Vedoin afirmou em depoimento à Justiça que pagou propina a 94 parlamentares. Desses, 40 teriam sido pagos com dinheiro em espécie, ao vivo - não há provas que os incriminem. ''Aquilo que não foi feito em dinheiro, em cash, está documentado, tem comprovante'', afirmou Jungmann. Os outros 54 parlamentares teriam recebido a propina de três formas: 34 por meio de depósitos na conta bancária de assessores, 10 na própria conta corrente e 5 na conta corrente de familiares - 3 são de mulheres de congressistas.
No depoimento, Vedoin explicou que cinco parlamentares teriam recebido benefícios da quadrilha, como um carro da marca BMW, viagem e até um apartamento (flat). Segundo Jungmann, outros 11 parlamentares também teriam se beneficiado financeiramente, mas Vedoin não especificou no depoimento como se deu o pagamento. ''O sentimento de impunidade beira a negligência, escárnio, desrespeito. Ao ler com profundidade o depoimento dá um sentimento de depressão e vergonha'', lamentou o deputado.
Ele anunciou que proporá a divulgação dos 105 nomes citados por Vedoin no depoimento. ''É injusto que 57 parlamentares já estejam com seus nomes nas ruas e outros permaneçam no anonimato'', argumentou Jungmann. O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito contra 57 parlamentares. Eles foram notificados pela CPI para apresentar a defesa por escrito.
A comissão de inquérito ainda não cruzou os nomes dados por Vedoin e a lista enviada pela Procuradoria da República. Mas, de acordo com Jungmann, o número de parlamentares envolvidos pode ser superior a 105, uma vez que existem nomes na lista do Ministério Público (MP) que não foram citados por Vedoin. Um desses casos é do líder do PP na Câmara, Mário Negromonte (BA), que passou o dia de ontem tentando obter da secretaria da comissão uma certidão de que Vedoin não citou seu nome. Negromonte aparece na lista dos 57 parlamentares investigados pelo MP e pelo Supremo.
O empresário Vedoin decidiu revelar detalhes do esquema de superfaturamento de ambulâncias depois de negociar com a Justiça de Mato Grosso a delação premiada. Em troca, ele espera ter um abrandamento da pena. No depoimento do empresário, que durou dez dias, foram apresentados documentos como planilhas com referências bancárias de parlamentares, assessores e familiares.


