Empresário foragido é encontrado morto em Olinda
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quinta-feira, 23 de junho de 2016
Das agências 
Brasília - Alvo de pedido de prisão na Operação Turbulência, deflagrada pela Polícia Federal na última terça-feira, em Pernambuco e Goiás, o empresário Paulo César de Barros Morato foi encontrado morto na noite de anteontem, em um motel em Olinda, na região metropolitana do Recife.
O empresário foi encontrado por funcionários do motel por volta das 19 horas de quarta-feira, sem camisa e sobre a cama. Segundo a Polícia Civil, o corpo não apresentava nenhuma perfuração ou qualquer outra marca de violência. Embalagens de medicamentos para o controle de diabetes e hipertensão foram encontradas no local. Com ele, foram encontrados sete pendrives, três celulares, talões de cheques em nome de terceiros e cerca de R$ 3 mil em dinheiro.
A suspeita é de que o empresário morreu no mesmo dia que deu entrada no motel - ele chegou ao meio dia de terça, horas depois de deflagrada a operação da PF. "As imagens chegaram hoje e serão devidamente periciadas. Duas câmeras de segurança registraram a entrada da vítima, uma delas fica no acesso à garagem do quarto", afirmou Antônio Barros, chefe da Polícia Civil de Pernambuco.
Segundo a gerente-geral de Polícia Científica de Pernambuco, Sandra Santos, as perícias "vão nos ajudar a descobrir a causa da morte se por envenenamento, por uso de medicamentos ou mal súbito". A previsão é de que os exames sejam concluídos até a próxima quinta-feira, só então o corpo será liberado. O resultado dos exames deve ser compartilhado com a Polícia Federal.
O advogado do motel, José Pessoa Lins Júnior, disse que, apesar de concluído o trabalho de perícia, a suíte 45 permanece interditada, mas o estabelecimento segue funcionando normalmente e que a equipe está cooperando com a polícia. A polícia deve ouvir funcionários do motel, o proprietário do veículo que o empresário dirigia e os donos dos cheques ainda esta semana.
Morato era alvo da Operação Turbulência e constava da lista de foragidos da Interpol. Investigadores estão preocupados com o fato de o grupo investigado ser muito forte política e economicamente na região. Há informações de que os investigados já ingressaram com pedidos de habeas corpus na Justiça de Pernambuco.
A Polícia Federal apontou Morato como "testa de ferro" de um esquema de lavagem de dinheiro que desviou, desde 2010, cerca de R$ 600 milhões, segundo as investigações. A "lavanderia" foi descoberta a partir de investigação sobre os proprietários do avião usado pelo ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) na campanha presidencial de 2014.
Uma das linhas de apuração é o uso do esquema de lavagem de dinheiro para caixa 2 de campanhas de Campos ao governo do Estado, em 2010, e à Presidência em 2014, quando disputou na chapa que tinha a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva (Rede Sustentabilidade) como vice. O PSB e a ex-ministra afirmam que não houve irregularidades durante a campanha da dupla.
'Empresa fantasma'
Os investigadores apontam Morato como "responsável" pela Câmara & Vasconcelos, empresa que comprou a aeronave que caiu em agosto de 2014, em Santos (SP), no acidente que matou Campos durante a campanha presidencial. A empresa, apontada como fantasma pela Polícia Federal, recebeu créditos de quase R$ 19 milhões remetidos pela construtora OAS.
O empresário também seria "ligado a outras firmas receptoras de recursos provenientes das empresas de fachada utilizadas no esquema de lavagem de dinheiro engendrado por Alberto Youssef com relação ao pagamento de vantagens indevidas decorrentes da execução de obras da Petrobras", conforme as investigações da PF. Youssef é delator da Operação Lava Jato.
Morato ainda era acusado de cooptar outros laranjas para o esquema. "Não só compõe o quadro societário de empresas fantasmas ou empresta sua própria conta pessoal para recebimento e movimentação dos recursos espúrios, mas também coopta outros 'laranjas' para o mesmo mister", informam as investigações.
Os advogados do empresário chegaram a afirmar, na terça-feira, dia da Operação Turbulência, que tão logo Morado fosse localizado, ele se apresentaria às autoridades.


