Beto Youssef tinha ligações também com o ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, acusado do desvio de R$ 3,1 milhões da prefeitura. Uma auditoria interna aponta que Youssef recebia cheques da prefeitura em 1996, apesar de não ter ligações com a administração. Na época, foram desviados R$ 4,2 milhões apenas de uma conta na Caixa Econômica Federal. Os cheques eram nominais à própria CEF, com pedido de cheque administrativo em favor dos beneficiados. Entre os três nomes identificados nas cópias dos cheques, figurava o de Youssef. O ex-procurador jurídico da prefeitura Otávio Salvadori não soube precisar o número de cheques ou valores emitidos para o doleiro.
Outra comprovação que liga Paolicchi a Youssef é um cheque listado no processo criminal que corre na Justiça Federal de Maringá. Na lista de 116 cheques emitidos a várias pessoas e empresas, Youssef aparece como beneficiário do valor de R$ 34.872 em 5 de janeiro de 1999.
O cheque saiu da conta de Waldemir Ronaldo Corrêa, ex-assessor de Paolicchi. A conta, no Banco do Brasil, recebia dinheiro desviado da prefeitura e era movimentada pelo ex-secretário. Além de Paolicchi e Corrêa, são acusados dos crimes os servidores Jorge Aparecido Sossai e Rosimeire Castelhano Barbosa, além do prefeito afastado Jairo Gianoto.
O MP de Londrina também investiga o envolvimento de Youssef na compra de US$ 200 mil do médico goiano Anis Rassi. O negócio teria sido feito pela irmã do empresário, Olga Youssef Soloviov, conhecida por ‘‘Flora’’, que também tem casa de câmbio em São Paulo. Olga seria mulher de Eroni Miguel Peres, que teve a prisão preventiva decretada anteontem.
Segundo apurou o MP, o pagamento dos dólares foi feito com dinheiro – RS 340 mil – desviado da Prefeitura de Londrina em licitações fraudulentas. A licitações foram vencidas pela empresa Gomes & Amâncio mas nenhum dos serviços chegou a ser realizado. O MP chegou aos nomes de Rassi e Flora rastreando a Gomes & Amâncio. Os R$ 340 mil saíram da conta da empresa londrinense, passou outra empresa – que seria ‘‘laranja’’ – e depois foi transferida para a conta do médico.
Em entrevista à Folha, no entanto, no mesmo telefone apontado pelo doleiro, Flora negou que conhecesse Rassi e Lacerda e disse que não comprou dólares do médico. Dos R$ 340 mil, parte foi gasto por Rassi e R$ 230 mil acabaram bloqueados pela Justiça, no início deste ano. O médico alegou que não sabia sobre a origem no dinheiro usado na pagamento dos dólares e ingressou com mandado de segurança no Tribunal de Justiça (TJ) para tentar reaver o dinheiro. (Colaborou L.H.)

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