O empresário Anderson Fernandes ficou em silêncio durante depoimento ontem no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ao final, ele voltou para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2), onde está preso desde sexta-feira, investigado por denúncia de corrupção. Ele teria oferecido dinheiro ao vereador Roberto Fú (PDT), que é autor de projeto que prevê a revogação da lei municipal 10.092/2006, conhecida como Lei da Muralha. O advogado do empresário, Victor Matheus, também não quis conceder entrevista.
Paralelamente à investigação criminal, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público também apura a suposta participação ilícita de outros parlamentares para a manutenção da Muralha. Estiveram na sede do Ministério Público (MP) do Paraná, prestando depoimento na condição de testemunhas, seis vereadores: Amauri Cardoso (PSDB), Rony Alves (PTB), Jairo Tamura (PSB), Ivo de Bassi (PTN), Marcelo Belinati e Joel Garcia (ambos do PP).
Cardoso, que pela terceira vez fala aos promotores desde que denunciou suposto esquema de compra de votos no Legislativo, confirmou que ''ouvia conversas na Câmara de que havia dinheiro correndo de um lado e do outro, quem queria manter a Muralha e quem queria revogar''. O tucano denunciou em abril um suposto assédio por parte de pessoas ligadas à administração municipal para que ele votasse contra a abertura da Comissão Processante (CP) da Centronic. ''Naquela época o Marco Cito (ex-secretário de Governo preso há cerca de dois meses) falou que se aceitasse a proposta viria mais dinheiro com a Muralha e com a lei da Unopar.''
Ivo de Bassi disse que, apesar de ter ouvido ''comentários'' de supostas irregularidades em torno da Muralha, nunca presenciou ou foi procurado por empresários. Joel Garcia não quis se pronunciar sobre o depoimento. Rony Alves e Jairo Tamura não atenderam o celular. Marcelo Belinati estava numa reunião à tarde e não pôde atender.

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