Empresário é preso antes de depor à CPI
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terça-feira, 08 de maio de 2001
Maria Duarte Israel Reinstein De Curitiba 
Os trabalhos da CPI da Telefonia da Assembléia Legislativa terminaram o dia de ontem com uma prisão. Antes de começar a depor, o diretor da Delta Distribuidora de Petróleo, Naum Galperin, foi preso pelo delegado José Sudário da Silva e levado para Araucária (Região Metropolitana de Curitiba).
A prisão provisória de cinco dias foi decretada pela juíza de Araucária Maria Cristina Franco Chaves, porque teria arrendado, de forma ilegal, a distribuidora de petróleo e expandido a ação da sua empresa para outros municípios, o que é proibido por lei. Aparentemente a prisão não tem relação direta com o caso dos grampos.
Já o ex-funcionário da Telepar Brasil Telecom e free-lancer da Defense Assessoria e Consultoria em Segurança, Jefferson Martins Storrer, admitiu à CPI que realizou serviços de varredura nos comitês eleitorais do governador Jaime Lerner (PFL) e do senador Alvaro Dias (PSDB). Storrer e o ex-gerente do Departamento de Segurança da Telepar Brasil Telecom Edgar Fontoura Filho (diretor da Defense) foram demitidos ontem. A empresa alegou que desconhecia o envolvimento deles com a Defense.
Storrer também afirmou que já executou o mesmo serviço na casa do secretário especial da Chefia de Gabinete do governador, Gerson Guelmann, e também na Secretaria de Esporte e Turismo, quando o secretário era Osvaldo dos Santos Filho. O ex-funcionário da Telepar disse não lembrar se fez trabalhos em outros comitês eleitorais ou no gabinete de Lerner. Apesar de confirmar o trabalho nesses locais, ele também não soube dizer quem o contratou. Ressaltou ainda que o trabalho era de varredura e não de grampo.
No depoimento, Storrer disse que atuou junto com Fontoura Filho. Além disso, declarou que prestava serviços para Defense, de propriedade de Fontoura Filho. Fontoura Filho o contratava para serviços paralelos ao trabalho da Telepar. No entanto, Fontoura Filho foi taxativo ao declarar que as varreduras no Palácio Iguaçu eram feitas pela Telepar e jamais eram feitos pela Defense.
Entre os clientes da Defense estava o cabo da PM Luiz Antonio Jordão que denunciou o esquema de escutas telefônicas clandestinas no Palácio Iguaçu. Apesar de fazerem trabalhos para Jordão, ambos afirmaram não ter intimidade com o cabo.
Os deputados perguntaram por que Fontoura Filho tem em mãos uma recomendação da Defense, feita pela Casa Militar do Paraná à Casa Militar de Roraima, informando que a empresa seria idônea para serviços de varredura. Ele respondeu que o documento deve ter sido feito com base na confiança que a Casa Militar tinha nos responsáveis pela empresa.
Sobre o grampo detectado no telefone da ex-secretária de Administração Maria Elisa Paciornik, em outubro de 1999, Fontoura Filho disse que a existência foi constatada, mas o caso foi encaminhado à PIC. Segundo ele, o grampo teria sido feito dentro da Telepar e se estenderia até um escritório de advocacia da Rua Colombo. Ele disse que não foram rastreadas as últimas pessoas que mexeram no sistema da Telepar. Mais de duzentas pessoas têm acesso a isso.


