O juiz Delcio Miranda da Rocha, da 2ª Vara Criminal de Londrina, ordenou a retirada da tornozeleira eletrônica do empresário José Lima de Castro Neto, um dos 13 investigados na Operação ZR3, que apura a possível existência de um grupo criminoso para atuar na aprovação de projetos na Câmara Municipal que visem mudanças pontuais de zoneamento no município. Na próxima quinta-feira (24) a operação, que resultou no afastamento dos vereadores Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB), completará um ano.

Com a decisão judicial publicada na noite da última terça-feira (15), passam a ser três os réus da ZR3 que continuam sendo monitorados eletronicamente: Takahashi, o ex-assessor de gabinete de Rony Alves, Evandir Aquino, e o empresário Homero Wagner Franjo. Os demais 10 denunciados pelo Gaeco cumprem outras medidas cautelares determinadas pela Justiça diversas à monitoração por tornozeleira.

No despacho favorável ao empresário José de Lima Castro, o juiz Delcio Miranda da Rocha escreveu que "não há mais possibilidade fática de que o fiscalizado configure um risco à produção da prova oral pleiteada pelo órgão acusatório, e tampouco há notícia de que possa influenciar negativamente a oitiva de testemunhas arroladas por outros denunciados".

Para Rocha, "se os fatos denunciados são graves por sua própria descrição e alcance, que sejam apurados e eventualmente julgados, o que não significa dizer que autorizam, prontamente, a imposição de medidas cautelares mais gravosas como a prisão preventiva e a monitoração eletrônica". Contrariando o Ministério Público, que pediu a prorrogação do monitoramento, o juiz entendeu que "os argumentos do órgão acusatório de que a medida seria necessária e adequada à ordem pública. O momento mais crítico da instrução criminal já se consumou".

DEFESA
Os advogados de Castro Neto explicaram que "foi extrapolada a tese de que os acusados interferissem no processo. Os réus considerados líderes da organização (segundo o MP, os vereadores afastados Mario Takahashi e Rony Alves) não foram submetidos a recurso para reedição do monitoramento. Não houve indicação de gravidade concreta por parte do Ministério Público". Em nota, reiteraram a inocência do seu cliente e afirmaram que a revogação "representa mais um passo rumo à demonstração da fantasiosa tese trazida pela acusação".

Em março, as testemunhas de defesa devem falar à Justiça em uma nova rodada de depoimentos da Operação ZR3.

VEREADORES
Além das medidas cautelares, os vereadores investigados pelo Gaeco, Mario Takahashi e Rony Alves, foram afastados judicialmente de suas funções na Câmara Municipal logo no início da operação, em janeiro do ano passado, com vencimento previsto até a próxima semana. O MP tenta a prorrogação desse prazo.

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