O empresário Vicente de Paulo Cunha e Castro foi interrogado ontem pela juíza substituta da 4ª Vara Criminal de Londrina, Fabiana Karam. Castro é réu na ação criminal proposta em junho pelo Ministério Público (MP) pelo desvio de R$ 270 mil da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). O ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) e o empresário Cassimiro Zavierucha, conhecido como ‘‘Carlos Júnior’’, também deveriam ter sido ouvidos ontem, mas pediram adiamento.
Na ação, o MP havia pedido a prisão preventiva de cinco réus. No dia 26 de julho, a juíza decretou a prisão de quatro deles, mas negou o pedido contra o empresário. Belinati, Carlos Júnior e o ex-presidente da extinta Comurb (hoje CMTU) Kakunen Kyosen ficaram presos durante quatro dias e, na segunda-feira, conseguiram sair graças a uma liminar junto ao Tribunal de Justiça (TJ). O ex-secretário municipal de Governo Gino Azzolini Neto, que também ingressou com recurso, continua foragido. O habeas-corpus dele ainda não foi analisado pelo TJ.
Após duas horas de interrogatório, Cunha e Castro deixou o Fórum sem falar com os jornalistas. O seu advogado Ronaldo Neves garantiu que as duas cartas-convite vencidas pela empresa Cunha & Castro, em 98, no total de R$ 116.760, mil foram regulares. As licitações tinham como objeto o fornecimento de hastes para semáforos e, segundo o MP, foram fraudadas.
Ainda de acordo com o MP, no mesmo dia que sacou o pagamento, Castro teria depositado em dinheiro R$ 4 mil na conta do ex-presidente da Comurb Cléber Tóffoli; R$ 5,5 mil para Dirceu Bucco, R$ 35 mil para Juarez Macedo (ambos são lideranças políticas na região de Londrina) e R$ 54,2 mil em uma conta não identificada.
Neves alegou que o empresário foi ao banco sacar a importância em dinheiro e efetuou os depósitos a pedido do ex-diretor administrativo-financeiro da Comurb Eduardo Alonso. ‘‘Posteriormente, o que correspondeu a essa quantia repassada, em torno de R$ 60 mil, foi no mesmo dia devolvido a ele em dinheiro, pelo próprio Eduardo Alonso, na Comurb’’.
O advogado, que afirma que os contratos foram cumpridos pela empresa, solicitou à juíza que sejam realizadas perícias técnicas e inspeção judicial para comprovar os preços praticados na época e o fornecimento das mercadorias licitadas. ‘‘Essa situação é absolutamente defensável, sustentável e documentada’’.
O promotor Cláudio Esteves, um dos autores da ação, disse que parte da ‘‘distribuição’’ não tem documentos bancários. ‘‘A irregularidade começa pela licitação forjada, que foi montada depois. Ele pode até ter fornecido algum material, mas não no valor licitado’’, garantiu.
Esteves disse que a versão apresentada ontem à juíza é novidade para o MP. ‘‘Quando ele foi interrogado, não disse nada disso. Ele foi o meio para subtração do dinheiro público através de licitação fraudulenta’’, disse o promotor.
Os interrogatórios do ex-prefeito e de Carlos Júnior foram marcados para o dia 22 de fevereiro de 2002. Segundo informações do cartórioda 4ª Vara Criminal, a agenda do juiz está lotada até setembro do ano que vem.

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