Empresário é interrogado sobre desvio
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quinta-feira, 02 de agosto de 2001
Cristiane Oya<BR>De Londrina 
O empresário Vicente de Paulo Cunha e Castro foi interrogado ontem pela juíza substituta da 4ª Vara Criminal de Londrina, Fabiana Karam. Castro é réu na ação criminal proposta em junho pelo Ministério Público (MP) pelo desvio de R$ 270 mil da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). O ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) e o empresário Cassimiro Zavierucha, conhecido como Carlos Júnior, também deveriam ter sido ouvidos ontem, mas pediram adiamento.
Na ação, o MP havia pedido a prisão preventiva de cinco réus. No dia 26 de julho, a juíza decretou a prisão de quatro deles, mas negou o pedido contra o empresário. Belinati, Carlos Júnior e o ex-presidente da extinta Comurb (hoje CMTU) Kakunen Kyosen ficaram presos durante quatro dias e, na segunda-feira, conseguiram sair graças a uma liminar junto ao Tribunal de Justiça (TJ). O ex-secretário municipal de Governo Gino Azzolini Neto, que também ingressou com recurso, continua foragido. O habeas-corpus dele ainda não foi analisado pelo TJ.
Após duas horas de interrogatório, Cunha e Castro deixou o Fórum sem falar com os jornalistas. O seu advogado Ronaldo Neves garantiu que as duas cartas-convite vencidas pela empresa Cunha & Castro, em 98, no total de R$ 116.760, mil foram regulares. As licitações tinham como objeto o fornecimento de hastes para semáforos e, segundo o MP, foram fraudadas.
Ainda de acordo com o MP, no mesmo dia que sacou o pagamento, Castro teria depositado em dinheiro R$ 4 mil na conta do ex-presidente da Comurb Cléber Tóffoli; R$ 5,5 mil para Dirceu Bucco, R$ 35 mil para Juarez Macedo (ambos são lideranças políticas na região de Londrina) e R$ 54,2 mil em uma conta não identificada.
Neves alegou que o empresário foi ao banco sacar a importância em dinheiro e efetuou os depósitos a pedido do ex-diretor administrativo-financeiro da Comurb Eduardo Alonso. Posteriormente, o que correspondeu a essa quantia repassada, em torno de R$ 60 mil, foi no mesmo dia devolvido a ele em dinheiro, pelo próprio Eduardo Alonso, na Comurb.
O advogado, que afirma que os contratos foram cumpridos pela empresa, solicitou à juíza que sejam realizadas perícias técnicas e inspeção judicial para comprovar os preços praticados na época e o fornecimento das mercadorias licitadas. Essa situação é absolutamente defensável, sustentável e documentada.
O promotor Cláudio Esteves, um dos autores da ação, disse que parte da distribuição não tem documentos bancários. A irregularidade começa pela licitação forjada, que foi montada depois. Ele pode até ter fornecido algum material, mas não no valor licitado, garantiu.
Esteves disse que a versão apresentada ontem à juíza é novidade para o MP. Quando ele foi interrogado, não disse nada disso. Ele foi o meio para subtração do dinheiro público através de licitação fraudulenta, disse o promotor.
Os interrogatórios do ex-prefeito e de Carlos Júnior foram marcados para o dia 22 de fevereiro de 2002. Segundo informações do cartórioda 4ª Vara Criminal, a agenda do juiz está lotada até setembro do ano que vem.


