O Sindicato dos Empregados de Empresas de Segurança e Vigilância de Maringá e Londrina acusou ontem o empresário José Luiz Sander, de aplicar um golpe na própria empresa e nos funcionários e fugir com cerca de R$ 5 milhões. Sander foi um dos primeiros denunciados no esquema de corrupção na Prefeitura de Londrina e é réu em uma medida cautelar inominada. O empresário é sócio majoritário da Principal Vigilância e dono da Tâmara Serviços de Limpeza, grupo com sede em Maringá. O sócio de Sander na Principal, Henrique Cesar Galli, confirmou a fuga dele.
Conforme o presidente do sindicato de Londrina, Gabriel José Trindade, Sander sumiu na segunda-feira com o dinheiro que deveria ser utilizado para o pagamento de cerca de 3,2 mil funcionários. Trindade contou que há dois anos o grupo vinha atrasando o pagamento de férias dos vigilantes. ‘‘Ele (Sander) já dava indícios de que iria aplicar um golpe’’, afirmou.
Trindade disse que o sindicato passou a desconfiar do grupo depois do envolvimento com o esquema de corrupção de Londrina, que veio à tona em fevereiro de 1999. ‘‘Tentamos pedir na Justiça o bloqueio de faturas das empresas, mas não conseguimos porque nos falaram que até poderíamos ser responsabilizados pela falência do grupo’’, contou.
O presidente do sindicato disse também que a Justiça não iria conceder medidas judiciais preventivas contra Sander porque o grupo ainda estava honrando com o pagamento dos funcionários e depósitos do FGTS. Segundo Trindade, há informações de que o empresário passou a ‘‘bloquear’’, nos últimos meses, o recebimento de faturas e a guardar o dinheiro. ‘‘Como os bens dele estão bloqueados pela Justiça por causa do envolvimento com a corrupção de Londrina, o Sander passou a desviar dinheiro da empresa’’, acusou.
O presidente do Sindicato dos Vigilantes de Maringá, José Maria da Silva, também confirma as denúncias. Em Maringá são 1,2 mil vigilantes, sendo que 60% deles estão sem receber do grupo. Silva contou que no domingo à noite o empresário teria ido até a sede da empresa e retirado todo o dinheiro em cofre. Na segunda-feira, já em Curitiba, Sander teria sacado R$ 1 milhão de bancos e trocado R$ 2 milhões em doláres. Da capital, ele teria fugido para a Espanha.
Para Galli, que participa da Principal Vigilância com capital de 11%, a denúncia de que o empresário fugiu com R$ 5 milhões é ‘‘absurda’’. Ele contou que o faturamento mensal da empresa é de R$ 1,9 milhão. Galli confirmou a fuga do sócio, mas acredita que Sander deve ter levado em torno de R$ 1 milhão. ‘‘Ainda estamos fazendo um levantamento completo das contas da empresa e não temos valores precisos’’, disse.
O sócio da Principal contou que o último contato que teve com Sander foi por telefone, na segunda-feira, às 15 horas. Sander teria pedido para Galli assumir a empresa em Maringá porque não mais voltaria para a cidade. Segundo Galli, Sander alegou que estava com problemas pessoais e que também estaria sofrendo ‘‘graves ameaças’’. ‘‘Ele não entrou em detalhes e apenas avisou que não retornaria para a empresa’’, disse Galli. Apesar de não ser visto nos últimos dias, ninguém registrou na polícia o desaparecimento do empresário.
A Principal Vigilância é considerada uma das maiores empresas do setor no Paraná. Além do Estado, mantém filiais em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Bancos como o HSBC, Caixa Econômica Federal e Unibanco são os principais clientes do grupo. Galli afirmou que 40% dos funcionários ligados à Principal estão sem receber. O sócio não soube informar a situação empresarial da Tâmara.

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