Madri e Barcelona - Engenheiro prodígio formado nas melhores escolas da Espanha, filho de militar do Exército de Franco, ex-ministro da Fazenda impopular, Juan-Miguel Villar Mir, construiu não só uma potência da construção civil, a OHL, hoje sexta maior empresa do ramo do país. Construiu também a fama de homem competente e arrogante. É reconhecido pela capacidade de comprar empresas à beira da falência e transformá-las em jóias.
Mas também é acusado de corrupção por um caso prosaico que o Ministério Público e o juiz Baltazar Garzón querem transformar em 2 anos e 10 meses de prisão. Foi professor universitário, depois presidente da Altos Hornos de Vizcaya, uma gigante da indústria siderúrgica espanhola. Passou, então, a um período de carreira política fracassada entre 1958 e 1967 - anos de chumbo na Espanha. ''Villar Mir recusou-se por duas vezes a ser ministro de Franco. Não estava em desacordo com suas políticas, mas tampouco estava de acordo'', disse Miguel Ángel Ximénez de Embún, presidente da empresa de comunicação Eurocofín, de Madri, e biógrafo do empresário.
Quando da morte de Franco, aceitou assumir o Ministério da Fazenda, em dezembro de 1975, no primeiro governo monárquico pós-ditadura comandado por Arias Navarro. Sua gestão, entretanto, se sustentaria apenas até junho do ano seguinte. Impopular, defendia medidas de austeridade, como suspensão dos reajustes salariais em um período de inflação próxima de 30%.
Nos últimos sete anos, enquanto vive o apogeu na vida empresarial, Villar Mir vem sofrendo arranhões em sua imagem pública. Em 2000, quando de sua gestão como presidente do Conselho de Engenharia, foi acusado ao lado dos conselheiros Ignacio Ozcariz, Carlos de Andrés e Miguel Rubio, de fornecer notas fiscais falsas para supostos serviços prestados pela empresa de informática e comunicação Recol Networks, no valor de 30 milhões de euros. Villar Mir responde a processo por falsidade documental, apropriação indevida e gestão fraudulenta.

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