Brasília - O empresário Carlos Alberto de Sá admitiu a existência de erros da Voetur no controle da emissão e no faturamento de bilhetes de viagem, mas disse que não foram de má-fé. Ele afirmou que esses erros totalizam no máximo R$ 200 mil e propôs um encontro de contas com o PNUD, que, pelos seus cálculos, estaria devendo R$ 900 mil à empresa.
''Eles terão de pagar o que me devem'', cobrou Carlos Alberto. Para o empresário, houve erros dos dois lados, mas os maiores culpados são, a seu ver, o PNUD e o Itamaraty, que deveriam controlar melhor as despesas. ''Eles tinham descontrole e nós também, mas o maior erro é deles, pois não é nossa função analisar se as pessoas embarcaram. Pelo contrato, nós só temos de atender aos pedidos de emissão dos bilhetes, pelos quais ganhamos uma comissão'', disse.
O Departamento Jurídico da empresa vai mover ação na Justiça para anular a sindicância do Itamaraty, base do inquérito aberto pelo Ministério Público, sob a alegação de que não foi respeitado o amplo direito de defesa. O advogado da Voetur, Robinson Neves, entende que, se houve alguma irregularidade, ela está afeta ao direito internacional e a administração pública brasileira nada tem que ver com o caso. Nenhum dirigente do PNUD foi encontrado para comentar a posição da Voetur e as denúncias.
A denúncia das irregularidades foi encaminhada no fim do ano passado pelo Sindicato das Empresas de Turismo do Distrito Federal ao Itamaraty, ao Ministério Público Federal e à Controladoria-Geral da União (CGU). O sindicato reclama que, estranhamente, a CGU não deu encaminhamento à denúncia e tem se recusado a dar qualquer satisfação à entidade. (V.M.)

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