O empresário José Edivan do Amorin, genro do ex-governador do Sergipe João Alves Filho (PFL), negou ontem qualquer envolvimento com as ilegalidades apontadas pelos ministérios públicos Federal e Estadual em relação aos contratos firmados pela empresa dele – Amorim Sergipe Transportes Ltda. – e a Banestado Leasing. Edivan teve a prisão solicitada por ter, na avaliação do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, cometido crime contra o sistema financeiro. Ele também é apontado pelos promotores como dono da Rápido Laser Ltda., outra empresa de transporte que fez operações com a Leasing.
De acordo com a denúncia do MPE e do MPF, as duas empresas de Amorim teriam causado um prejuízo (atualizado em maio passado) de R$ 22,1 milhão à Banestado Leasing. ‘‘Quem não deve não teme. Fui pego de surpresa com esta notícia (o pedido de prisão) porque nunca prestei depoimento ao Ministério Público sobre esse caso’’, defendeu-se. Ele considerou ‘‘uma brincadeira’’ a informação prestada pelos promotores de que o também empresário sergipano José Edinalvo Morais seria seu segurança particular e ‘‘laranja’’ na sociedade da Amorim Sergipe Transportes e na Rápido Laser.
‘‘É um absurdo; o Ministério Público vai ter que provar o que está dizendo’’, afirmou. ‘‘O senhor José Edinalvo é um homem de bem; a Rápido Laser, de propriedade dele, prestava serviços para a Amorim Sergipe.’’. Edivan disse não conhecer o deputado federal Joaquim dos Santos Filho – pai de Oswaldo Magalhães, presidente da Banestado Leasing na época que foram assinados os contratos com as empresas de Sergipe. Os promotores denunciaram que houve tráfico de influência para a realização das operações.
Edivan afirmou que o contrato entre a Banestado Leasing e a filial da Amorim Sergipe em Guarulhos (SP) foi aprovado ‘‘por todas as instâncias superiores’’ da instituição financeira. ‘‘A filial ficava a 300 metros de uma agência do Banestado. Não saímos do Sergipe e fomos ao Paraná pegar este dinheiro. É preciso que se questione também porque as instâncias superiores aprovaram os contratos’’, criticou. Ele disse que há uma ação tramitando na Justiça do Paraná (não soube informar a vara) contra a Banestado Leasing. ‘‘Estamos questionando os valores dos juros cobrados pela nossa dívida.’’
Edivan garantiu que ele ou seus advogados deve chegar a Curitiba amanhã para tomar conhecimento das ações. Ele contou que a empresa de transportes não está operando desde o final de 1997. ‘‘Acredito que os promotores estejam confundindo operações de leasing com operações de empréstimos. A melhor coisa que aconteceu foram estas denúncias porque, assim, tudo será esclarecido.’’
O advogado do ex-governador João Alves Filho (dono da Habitacional Construções S/A), Antônio João Rocha Messias, afirmou que estava em ‘‘estado de choque’’ com o teor das denúncias. ‘‘Deve haver algum componente político nisso. Tenho a absoluta convicção que a empresa não fez nada fora da lei’’, destacou.
Segundo as denúncias dos promotores, a Habitacional teria causado um prejuízo de R$ 6,6 milhões à Banestado Leasing. ‘‘O contrato da empresa – que há mais de cinco anos é dirigida pelo filho do Dr. João Alves, João Alves Neto – com a Banestado Leasing está sub judice. Estamos questionando a cobrança do valor residual antecipado’’, informou. João Rocha também chega ao Paraná amanhã para obter informações das ações. (R.B.N.)

mockup