Empresário de SE considera absurdas acusações do MP
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de agosto de 2000
De Curitiba 
O empresário José Edivan do Amorin, genro do ex-governador do Sergipe João Alves Filho (PFL), negou ontem qualquer envolvimento com as ilegalidades apontadas pelos ministérios públicos Federal e Estadual em relação aos contratos firmados pela empresa dele Amorim Sergipe Transportes Ltda. e a Banestado Leasing. Edivan teve a prisão solicitada por ter, na avaliação do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, cometido crime contra o sistema financeiro. Ele também é apontado pelos promotores como dono da Rápido Laser Ltda., outra empresa de transporte que fez operações com a Leasing.
De acordo com a denúncia do MPE e do MPF, as duas empresas de Amorim teriam causado um prejuízo (atualizado em maio passado) de R$ 22,1 milhão à Banestado Leasing. Quem não deve não teme. Fui pego de surpresa com esta notícia (o pedido de prisão) porque nunca prestei depoimento ao Ministério Público sobre esse caso, defendeu-se. Ele considerou uma brincadeira a informação prestada pelos promotores de que o também empresário sergipano José Edinalvo Morais seria seu segurança particular e laranja na sociedade da Amorim Sergipe Transportes e na Rápido Laser.
É um absurdo; o Ministério Público vai ter que provar o que está dizendo, afirmou. O senhor José Edinalvo é um homem de bem; a Rápido Laser, de propriedade dele, prestava serviços para a Amorim Sergipe.. Edivan disse não conhecer o deputado federal Joaquim dos Santos Filho pai de Oswaldo Magalhães, presidente da Banestado Leasing na época que foram assinados os contratos com as empresas de Sergipe. Os promotores denunciaram que houve tráfico de influência para a realização das operações.
Edivan afirmou que o contrato entre a Banestado Leasing e a filial da Amorim Sergipe em Guarulhos (SP) foi aprovado por todas as instâncias superiores da instituição financeira. A filial ficava a 300 metros de uma agência do Banestado. Não saímos do Sergipe e fomos ao Paraná pegar este dinheiro. É preciso que se questione também porque as instâncias superiores aprovaram os contratos, criticou. Ele disse que há uma ação tramitando na Justiça do Paraná (não soube informar a vara) contra a Banestado Leasing. Estamos questionando os valores dos juros cobrados pela nossa dívida.
Edivan garantiu que ele ou seus advogados deve chegar a Curitiba amanhã para tomar conhecimento das ações. Ele contou que a empresa de transportes não está operando desde o final de 1997. Acredito que os promotores estejam confundindo operações de leasing com operações de empréstimos. A melhor coisa que aconteceu foram estas denúncias porque, assim, tudo será esclarecido.
O advogado do ex-governador João Alves Filho (dono da Habitacional Construções S/A), Antônio João Rocha Messias, afirmou que estava em estado de choque com o teor das denúncias. Deve haver algum componente político nisso. Tenho a absoluta convicção que a empresa não fez nada fora da lei, destacou.
Segundo as denúncias dos promotores, a Habitacional teria causado um prejuízo de R$ 6,6 milhões à Banestado Leasing. O contrato da empresa que há mais de cinco anos é dirigida pelo filho do Dr. João Alves, João Alves Neto com a Banestado Leasing está sub judice. Estamos questionando a cobrança do valor residual antecipado, informou. João Rocha também chega ao Paraná amanhã para obter informações das ações. (R.B.N.)


