Empresário conta como usou empresas frias
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quarta-feira, 15 de abril de 2015
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
O dono de empresas do setor de alumínio, construção e transporte, réu colaborador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na Operação Publicanos, que investiga uma organização criminosa de auditores que agia na Receita Estadual de Londrina, relatou, em depoimento aos promotores, que usou duas "empresas fantasmas" ligadas a auditores para pagar propina à organização.
Como já revelou a FOLHA, uma delas é a Tarfil, aberta pelo contador Hederson Bueno, irmão de Marco Antonio Bueno, e ex-cunhado do Luiz Antonio de Souza, ambos auditores da Receita de Londrina presos em decorrência da investigação.
O empresário disse que, no começo de 2011, os auditores Ricardo de Freitas e Luiz Antonio de Souza exigiram R$ 600 mil de propina, sob pena de ser multado em mais de R$ 9 milhões por recolhimento irregular de ICMS. Ele acabou pagando R$ 100 mil em dinheiro. Pouco tempo depois, os dois apontaram uma forma de fazer a complementação da propina.
Seria por meio da Leandro Júnior Capelanes Rodrigues, empresa de ferragens apenas de fachada para emitir notas fiscais frias, que serviram, segundo o relato do empresário, para fazer compensações indevidas de ICMS. Com mais notas ficais frias de compra de produtos da Capelanes, o empresário pagaria menos imposto e teria, portanto, mais créditos tributários a resgatar junto ao Estado. Do montante das notas frias emitidas, o empresário tinha que dar 2% aos auditores como propina.
Após um ano, o mesmo modus operandi prosseguiu, porém, incluindo a Tatiane Comércio de Metais Tarfil, aberta em nome de Tatiane Vieira, esposa de Leandro Capelanes. Inicialmente, disse o empresário do setor de alumínios, a Capelanes expedia entre R$ 800 mil e R$ 1,5 milhão em notas frias, o que rendia até R$ 30 mil de propina por mês. A partir da entrada da Tarfil, Souza teria dito que o mínimo de notas frias a serem emitidas era de R$ 2 milhões, o que aumentava a propina para R$ 40 mil mensais.
Segundo o depoimento de Hederson Bueno, a Tarfil e a Capelanes foram constituídas a pedido de Souza. Elas também teriam sido usadas para emitir notas frias a outras empresários que pagaram propina aos fiscais.
Copeira
Tatiane Vieira e Leandro Júnior Capelanes Rodrigues seriam os donos legais da Tarfil e da empresa de ferragens, mas, em depoimentos ao Gaeco, negaram esta condição.
Leandro declarou que trabalha com prestação de serviços gerais e chegou a ter uma empresa de alumínio, que teria aberto em sociedade com uma pessoa identificada como João, que seria funcionário do empresário do setor de alumínio. A empresa "não deu certo" e ele, então, teria pedido ao seu contador, Hederson Bueno, a alteração da empresa para "serviços gerais" e que sua esposa seria sócia.
Já Tatiane trabalha como copeira, contratada de maneira terceirizada, no 2º Comando Regional Militar em Londrina. Ela disse desconhecer que houvesse qualquer empresa em seu nome.
O advogado do casal, Italby Moraes, que também defende o contador Hederson Bueno, negou que qualquer um de seus clientes tenha cometido crimes. Sobre o contador, disse que sua atuação restringiu-se a abrir as empresas a pedido de Luiz Antonio de Souza. Sobre o casal, declarou que ambos foram "laranjas" e que não sabiam que seus nomes estavam sendo usados para a prática de crimes.
Os três figuram como indiciados na operação Publicanos. "Caberá a mim, como advogado, demonstrar que meus clientes não cometeram crimes", disse Moraes.


