Curitiba - O sócio controlador da Usimar, Theodoro Hubner Filho, manteve ontem sua versão sobre o esquema de fraudes que desviou dinheiro da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Em seu depoimento ontem aos procuradores do Ministério Público (MP) federal, o empresário afirmou que sabia que dinheiro do projeto seria desviado para pessoas ligadas à Sudam, mas não sabe do paradeiro dos valores.
Hubner confirmou que 40% dos R$ 44 milhões repassados pela Sudam passaram pelas contas de algumas empresas de seu grupo, mas não sabia o destino final do dinheiro. Segundo o depoimento, o diretor financeiro da Usimar, Valmor Filipetto, era o responsável pela movimentação financeira, com Hubner apenas assinando os cheques.
Os procuradores do MP tentam agora rastrear cerca de R$ 13 milhões que teriam sido enviados pelo exterior por empresas laranjas do eixo Rio-São Paulo para remunerar pessoas que facilitavam a aprovação de projetos dentro da Sudam. O MP também espera o término de um levantamento realizado na Usimar para apurar se os R$ 26 milhões que teriam ficado nas mãos de Hubner foram de fato utilizados na construção de uma montadora no Maranhão.
Até agora, o único montante já rastreado pelo MP foi o de R$ 4,4 milhões entregues ao consultor Amaury Cruz Santos, responsável pela agilização dos processos na Sudam. Uma parte do dinheiro foi utilizada na compra de imóveis e outra parcela na compra de parte da concessionária Euro Import, em Curitiba. Cruz Santos é um dos réus na ação que causou o afastamento do prefeito de Londrina, Antonio Belinati (sem partido).
Outra parcela do dinheiro também foi repassada à Ulbi Arlant, sócio de Cruz Santos. Arlant era a pessoa designada a viajar ao Maranhão para negociar a instalação da sede da Usimar em São Luís. Há indícios de que parte do dinheiro recebido por Arlant tenha sido injetada em uma empresa com sede em Arapongas e em suas filiais em Londrina e Maringá.
Nova Holanda - O delegado da Polícia Federal do Distrito Federal tomou ontem o depoimento do empresário José Roberto Santos, que teria ligações com outro projeto favorecido pela Sudam, a fazenda Nova Holanda. O empresário confirmou ter recebido R$ 8 milhões da autarquia. Apesar da Nova Holanda ter sido criada em Curitiba, as operações da empresa se concentravam em Blumenau (SC).

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