Brasília - O empresário Sebastião Augusto Buani confirmou ontem o pagamento de propina ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), na época em que ele era primeiro-secretário da Casa. Em entrevista coletiva, Buani disse que, em troca da exploração de restaurante, entregou ao deputado entre R$ 110 mil e R$ 120 mil até 2003. Severino, que está em Nova York e corre o risco de ser cassado, mais uma vez negou a propina (leia na página 6).
Segundo o empresário, para continuar com a concessão do restaurante Fiorella, na Câmara, ele pagou R$ 40 mil a Severino em 2003. O empresário disse que inicialmente foi pedido R$ 60 mil, mas ele conseguiu reduzir o preço da propina em reunião entre ele, Severino e o deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE).
Ainda de acordo com Buani, o deputado teria dito que ele ganhava muito dinheiro com o restaurante. ''Se eu não tivesse meus seis filhos para criar, eu teria amassado aquela prorrogação de contrato'', disse. Hoje, o empresário tem nove filhos.
Esse contrato foi considerado irregular e não constaria no regimento interno da Câmara. Buani disse que perdeu dinheiro e que em 2003 acertou um outro pagamento de R$ 10 mil por mês para Severino - o ''mensalinho'' - no início de 2003.
Buani contou que Severino foi o único parlamentar a receber o pagamento -entregue pelo próprio empresário ou por seus funcionários. Ele explicou ainda que os pagamentos eram feitos em dois ou três dias, de acordo com a arrecadação dos restaurantes. Apenas um deles - ao todo foram sete ou oito -foi feito por meio de um cheque do Bradesco. O empresário disse ainda que precisava da concessão porque já tinha fechado outros restaurantes que possuía. ''Eu não tinha para onde ir.''
Embora tenha assumido o pagamento da propina, Buani tentou se desvincular da imagem de corruptor e disse ter sido vítima de uma fraqueza. ''Não sou nem de longe um corruptor, mas ninguém é perfeito. Todo mundo tem seu momento de fraqueza, seus compromissos'', disse.
Em fevereiro de 2003, o empresário atrasou um dos pagamentos do mensalinho. Isso porque o movimento no restaurante estava baixo por conta das férias dos servidores da Câmara. Por isso, teria pago apenas R$ 5 mil a Severino. Segundo o empresário, o deputado ''generosamente disse que os cinco mil seriam diluídos nos próximos dois meses''.
Buani contou que após ter uma conversa com a filha, em agosto ou setembro de 2003, decidiu cancelar os pagamentos. Neste momento da entrevista, ele chorou e interrompeu o relato por alguns minutos. ''A partir daquele dia, nunca mais paguei o 'mensalinho'.''
De acordo com o empresário, ele foi sondado em 2004 para assumir um contrato emergencial do restaurante dos funcionários da Câmara - o mais rentável -, mas ele perdeu a concorrência, dando a entender que foi uma decisão política.
Depois disso, Buani assumiu o restaurante do 10º andar do anexo 4, mas pediu uma cotação não adequada para o serviço. Ele disse que tinha um gasto mensal de cerca de R$ 13,5 mil com aluguel, água e luz, e que não conseguiu honrar esse compromisso.

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