O empresário Claudemir Medeiros, proprietário da boate erótica Shirogohan, confirmou ontem de manhã em depoimento à juíza da 3 Vara Criminal de Londrina, Adriana Ferreira, que foi vítima de cobrança de propina por parte de vereadores da Legislatura passada. Medeiros reforçou a versão apresentada em 2008 pelo ex-vereador Orlando Bonilha ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que ingressou ação civil pública e denúncia criminal contra nove parlamentares, à época, por ato de improbidade administrativa e crime de concussão.
Segundo a denúncia do Gaeco, feita também com base em depoimento anterior do dono da boate à Promotoria, Medeiros teria sido vítima de um achaque de R$ 15 mil por parte de Bonilha e do agora também ex-vereador Sidney de Souza (PTB) a fim de que um projeto que o beneficiaria na Casa fosse aprovado. A matéria tratava de uma mudança de zoneamento que possibilitaria à então a casa de shows poder atuar, naquela região, também como motel. Além de Bonilha e Souza, acabaram denunciados ainda os ex-vereadores Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Gláudio Lima (PT), Flávio Vedoato (PSC), Renato Araújo (PP), Henrique Barros e Osvaldo Bergamin (ambos, sem partido), além do vereador Renato Lemes (PRB). À exceção de Bonilha, todos os réus negam a extorsão.
Para o promotor Jorge Barreto, do Gaeco, a audiência de ontem ''confirmou a existência da propina'', uma vez que o depoente é, nesse caso, a vítima. ''Ele focou bastante nos ex-vereadores Sidney e Bonilha, mas ficou claro que, em tese, eles pediam a propina a eles e aos vereadores'', afirmou Barreto. Conforme o promotor, contudo, o dinheiro, que teria sido entregue pelo empresário a Bonilha, teria sido repassado na da Câmara, na presença de Souza - e não, diferentemente do que o Gaeco apurara, em churrasco promovido por Medeiros. Além de parlamentares, estiveram no evento também o secretário de Governo à época, Adalberto Pereira, e o ex-prefeito Nedson Micheleti (PT).
''Em juízo, o empresário afirmou que foi em um momento seguinte ao churrasco, já quando o projeto estava para ser votado, que o vereador Sidney ligou para ele e disse que colegas de plenário estavam pedindo um 'pedágio'. Foi nesse instante que, ao entregar os R$ 15 mil a Bonilha, ele teria ouvido deste que aquilo era o dinheiro do café'', afirmou Barreto, segundo o qual o depoimento de ontem ''corrobora a atuação da quadrilha formada pelos vereadores da época''.
Além de Medeiros, estiveram ontem na 3 Vara Criminal para a segunda audiência do caso - a primeira foi em março - também os ex-vereadores Barros, Vedoato e Araújo. A juíza encerrou a instrução para a acusação e designou o dia 9 de setembro para depoimento das testemunhas de defesa.

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