Curitiba - O proprietário da empresa de alimentação Nutrilac, Walmor Fanton, prestou depoimento ontem no procedimento administrativo instalado pelo governo do Paraná para analisar a denúncia de cobrança de propina por parte do chefe do Departamento de Fomento aos Municípios da Secretaria de Estado dos Transportes, Ivo Roncaglio. O empresário afirmou ter sido procurado diversas vezes no ano passado por Roncaglio, que exigia R$ 60 mil para viabilizar o fornecimento de um achocolotado produzido pela Nutrilac para as merendas escolares do Estado.
A Nutrilac, que tem sede em Cascavel, venceu em maio do ano passado uma licitação da Secretaria de Estado da Educação no valor de R$ 1,2 milhão para fornecer achocolatado para a merenda escolar entre junho e agosto de 2003. Porém, o primeiro lote produzido foi rejeitado pelos laboratórios da Universidade Federal do Paraná (UFPR) porque o produto não atingia o valor protéico mínimo exigido na licitação. Fanton teria então viajado para Curitiba para solucionar o problema.
No depoimento prestado na Ouvidoria Geral do Estado ontem, Fanton afirmou que ao chegar a Curitiba procurou Roncaglio, que também é de Cascavel. Apesar da licitação não ter conexão com a Secretaria de Transportes, o empresário pediu a ajuda de Roncaglio para não perder a licitação. Roncaglio, que tinha prestígio no governo Roberto Requião por ser presidente do diretório do PMDB em Cascavel, comprometeu-se a tentar ajudar.
Segundo Fanton, porém, a ajuda de Roncaglio não foi necessária. O empresário foi ao laboratório da UFPR e apurou as modificações que deviam ser feitas no achocolatado. Os lotes seguintes foram entregues dentro das especificações, e os pagamentos pelo produto foram efetuados.
Mesmo com o problema resolvido, Fanton alega ter sido procurado por Roncaglio diversas vezes. O chefe de departamento pedia o equivalente a 5% da licitação (R$ 60 mil), para que os pagamentos continuassem sendo efetuados. Com a recusa de Fanton ao longo dos meses, o chefe de departamento teria começado a pressionar o filho do empresário, Marcos Fanton, para que efetuasse o pagamento. O pagamento teria sido feito com três cheques, no início de setembro. Ao saber que o filho tinha feito o pagamento, Walmor Fanton mandou sustar os cheques. A história veio à tona apenas no mês passado, quando um dos cheques foi protestado em cartório. Fanton contou o caso ao secretário de Educação Maurício Requião, que determinou a investigação sobre o caso.
Segundo o ouvidor geral e corregedor, Luiz Carlos Delazari, que investiga a denúncia, a história de Fanton é consistente. ''Entretanto, vamos apurar ainda alguns pontos que estão pendentes. Por que os cheques foram emitidos em setembro, quando os pagamentos relativos à licitação já haviam sido feitos?'', questionou Delazari.
A reportagem da Folha tentou contato com Roncaglio mas não obteve resposta. Em nota oficial divulgada terça-feira, ele afirmou ser inocente, e aguardaria o melhor momento para divulgar sua versão dos fatos.

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