Curitiba - O empresário Nereu Procopiak confirmou aos deputados estaduais que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Companhia Paranaense de Energia (Copel) que recebeu R$ 1,1 milhão para intermediar a compra de créditos tributários da empresa falida Olvepar pela Copel em dezembro do ano passado. Apesar de sua função ter sido apenas a de apresentar o representante da Olvepar Luiz Sérgio da Silva ao contador da Copel César Bordin, Procopiak justificou sua intervenção como a comercialização de um serviço.
No depoimento, Procopiak alegou que os R$ 45 milhões em créditos relativos ao Imposto sobre Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS) que a Olvepar alegava ter era um produto como outro qualquer. Seu papel na negociação foi encontrar um comprador para o produto, no caso a Copel, que pagou R$ 39 milhões pelos créditos.
O caso Olvepar começou a ser investigado após o deputado estadual Tadeu Veneri (PT) encaminhar uma denúncia ao governador Roberto Requião (PMDB) afirmando que os créditos da empresa não tinham validade legal segundo a Secretaria da Receita Federal e o Tribunal de Justiça do Paraná. Posteriormente, confirmou-se que nos dez dias que precederam a venda, o então presidente da Copel Ingo Hubert submeteu ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) a transação para verificar sua legalidade, fato que não era comum nas negociações da Copel. Além disso, Hubert, que também era secretário estadual da Fazenda, emitiu uma resolução da secretaria reconhecendo os créditos da empresa falida.
No depoimento, realizado na terça-feira à noite, Procopiak disse aos deputados também que ficou sabendo que a compra dos créditos havia sido cancelada alguns dias antes da assinatura do contrato. Depois, o empresário afirmou que recebeu outra ligação afirmando que a secretaria da Fazenda havia liberado a transação. ''Ele negou ter pressionado a secretaria da Fazenda para reconhecer os créditos. Depois de relutar por um bom tempo, acabou confirmando que o contador da Copel, César Bordin, teria atuado junto à secretaria'', explicou Marcos Isfer (PPS), presidente da CPI.
Segundo Isfer, Bordin deverá ser chamado a prestar depoimento nos outros dias. A CPI também cogita a realização de uma sessão da CPI em Londrina, para investigar a compra de 45% das ações da Sercomtel (empresa de telefonia de Londrina) pela Copel. Os deputados estudam a realização de uma acareação entre o ex-presidente da Sercomtel Rubens Pavan, o ex-secretário de governo da prefeitura de Londrina Gino Azzolini Neto e o ex-secretário municipal de Fazenda Luiz César Guedes. Segundo Isfer, as versões dadas pelos três sobre a compra das ações são conflitantes.

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