Brasília - O empresário Arthur Washeck confessou ontem ser o mandante da gravação da fita que deu origem às denúncias de corrupção na Empresa dos Correios e Telégrafos (ECT). Washeck é proprietário da Comercial Alvorada de Manufaturados (Conam), sediada em Brasília. As informações são da Agência Brasil. Washeck fez a confissão em depoimento à Polícia Federal (PF), na capital federal. ''Ele afirmou que foi realmente o responsável em planejar e contratar o serviço de Joel Santos Filho para realizar a filmagem'', dissse o delegado Luís Flávio Zampronha.
O advogado Joel já havia confessado que realizou a gravação da cobrança de propina de Maurício Marinho, então chefe de Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios. O empresário confirmou também que logo depois, encaminhou a fita para Antonio Osório, ex-diretor administrativo dos Correios. O delegado conta que Arthur não soube dizer se Osório ''realmente recebeu'' o material ''porque a entrega foi feita por meio de um motoboy'' e não teve informações se realmente Osório recebeu essa gravação''.
Segundo o delegado, no depoimento Arthur afirmou que o objetivo era atingir Marinho e que acreditava que Osório não tinha conhecimento da corrupção. ''Ele afirma que o objetivo era afastar Marinho do cargo, não tinha interesse nenhum em prejudicar Osório'', diz Zamprunha.
O delegado da PF, Luiz Flavio Zampronha, afirmou que precisa ouvir novamente o depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) para saber se ele foi chantageado pelos envolvidos na gravação de denúncia de corrupção nos Correios. Jefferson acusou o militar da reserva da Marinha, Arlindo Molina, de tentar extorqui-lo em troca da fita. Hoje, Molina também vai prestar novo depoimento à PF.
Na gravação, o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Mauricio Marinho, recebe R$ 3 mil de empresários para favorecê-los em uma licitação da empresa. Na fita, ele revela supostos detalhes de um esquema de arrecadação para o PTB.

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