Empresário admite lavagem de R$ 8 mi
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terça-feira, 11 de março de 1997
Agência Estado de Brasília 
Arquivo FolhaCadeia nelePedro Simon pediu a prisão do empresário Fausto Solano Pereira por mentir à CPI O empresário Fausto Solano Pereira confessou ontem, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos, ter transferido irregularmente US$ 1,8 milhão do exterior para o Brasil, sonegado impostos e participado da lavagem de pelo menos R$ 8 milhões. Ao final, a CPI decidiu proibir Fausto Solano de deixar o País.
Fausto Solano Pereira é proprietáro da Corretora Boa Safra e é suspeito de ter ajudado a fraudar a emissão e venda de títulos de Estados e municípios. As respostas evasivas de Solano irritaram os senadores. Pedro Simon (PMDB-RS), por exemplo, pediu que a CPI decretasse a prisão do empresário, por ter mentido. O relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR), disse que se contentava com a proibição imposta a ele, de sair do País. Caberá ao senador Romeu Tuma (PFL-SP) cuidar da vigilância, para que Francisco Solano não saia do Brasil.
As revelações de Fausto Solano à CPI foram consideradas inverossímeis. Nem a tataravó da velhinha de Taubaté vai acreditar no senhor, disse o senador José Serra (PSDB-SP). Em resumo, o empresário contou esta história: em outubro estava necessitando de US$ 1,8 milhão. Entrou em contato com seu advogado Juan Honatti, em Miami, para solicitar que a quantia fosse retirada de um banco, no paraíso fiscal de Cayman, onde tem conta. Mas não sabia o nome do banco. Posteriormente os senadores ligaram para o escritório dele e ficaram sabendo que se trata do Swiss Bank Corporation.
No dia 24 de outubro Solano foi procurado por um certo senhor Renê, que o comunicou sobre a transferência de valores. Ele me disse que não tinha os valores, porque naquele dia a procura por dólares havia sido intensa, afirmou Fausto Solano. Ainda de acordo com a história contada na CPI, Renê afirmou que não tinha os US$ 1,8 milhão, mas estava com um cheque de uma empresa de factoring (que descontam cheques pré-datados) superior ao valor pretendido por ele. Foi uma operação feita na confiança.
O cheque era de R$ 9.756.065,75 e estava assinado por Ibrahim Borges Filho, da IBF Factoring, empresa de fachada que participou do esquema de lavagem de dinheiro obtido com as operações de emissão e venda de títulos destinados ao pagamento de dívidas de Estados e municípios cobradas pela via judicial. A confiança era tão grande - disse Solano - que Renê entregou uma lista de 54 pessoas e entidades para as quais deveriam ser pulverizados os R$ 7.956.065,75 que sobraram.
De posse das listas, Fausto Solano disse que foi assinando os cheques com os valores correspondentes. Os documentos eram entregues a secretárias, que os davam a office-boys. Solano não soube - ou não quis dar - os nomes das secretárias e dos boys. Disse que não havia risco de extravio dos cheques porque eram todos nominais. Para os senadores, as pessoas e as entidades que receberam os R$ 7,95 milhões foram utilizadas na legalização do dinheiro.


