Empresário acusado de fraude teria agido também no Paraná
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Evandro Fadel<br> Agência Estado 
Curitiba - O empresário Fábio de Mello, preso pela Polícia Federal na Operação Voucher, sob acusação de participação em um esquema fraudulento envolvendo o Ministério do Turismo, pode ter atuado também no Paraná. Investigações conduzidas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em contratos com a Sociedade Beneficente Evangélica (SEB), de Curitiba, apontam que ele teria feito a intermediação e até prestado assessoria à direção da entidade.
Escutas telefônicas feitas pela PF mostraram que Mello recebeu orientações do secretário executivo do Ministério, Frederico Silva da Costa, para montar uma entidade de fachada que assinaria convênios com o governo federal para liberação de recursos. A SEB, uma entidade sem fins lucrativos que mantém o Hospital Evangélico de Curitiba e a Faculdade Evangélica do Paraná, é parceira do Ministério do Turismo para o Programa de Qualificação no Turismo, visando à formação de mão de obra para atender aos turistas, principalmente na Copa do Mundo de 2014.
O projeto foi lançado no Paraná em 8 de junho do ano passado, durante solenidade presidida pelo então governador Orlando Pessuti (PMDB). Entre os presentes o então secretário nacional do Programa de Desenvolvimento do Turismo e hoje secretário executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva da Costa, também preso na Operação Voucher.
Os recursos para o programa no Paraná foram de R$ 7,5 milhões, viabilizados por emendas apresentadas pelo deputado federal André Zacharow (PMDB-PR). O deputado presidiu a SEB no período entre 1998 e 2008. O Portal da Transparência da União aponta que o projeto de mobilização e qualificação nos segmentos de turismo, no valor de R$ 4 milhões, começou em 21 de dezembro de 2009, portanto anterior ao próprio lançamento oficial do programa.
Até agora teriam sido liberados R$ 3,1 milhões para a SEB. Esse projeto deve se estender até o dia 24 de abril de 2012. O segundo convênio, com valor de R$ 3,5 milhões, prevê realização de inventário turístico do Paraná. Até agora foram liberados R$ 1.950.000. A vigência do contrato termina em 9 de novembro deste ano. Os dois contratos são alvo de investigação pelo TCU, que suspeita de fraudes, superfaturamento em serviços e simulação de concorrência, pela qual teria sido contratado como prestador de serviços o Instituto Brasileiro de Organização do Trabalho Intelectual e Tecnológico (IBT), que é dirigido por Mello.
Na página mantida pela SEB na internet é possível realizar dois módulos regionais do curso de qualificação. Tanto o módulo Atrativos Turísticos do Estado do Paraná quanto História e Cultura do Estado do Paraná preveem 30 horas/aula, com possibilidade de o certificado ser concedido com 70% de participação. Mas não é preciso consumir todo esse tempo, visto que não há necessidade de comprovar a leitura das orientações ou de assistir aos vídeos sugeridos.
O curso mais longo - História e Cultura do Estado do Paraná - tem 98 páginas de aulas, além de 12 vídeos. Mas a cada toque na seta de mudança de página o porcentual de participação vai se alterando independentemente de leitura. Do mesmo modo, os vídeos, que consumiriam cerca de 2 horas e meia, não precisam ser assistidos. Basta um clique para que seja aberto e o porcentual de participação muda. Dessa forma, as 30 horas/aula podem ser resumidas a 110 toques no computador e não mais que 20 minutos. O certificado fica disponível em oito dias.
No caso dos Atrativos Turísticos, o tempo cai pela metade. São apenas 51 páginas para serem clicadas e 12 vídeos para serem abertos. Mas se a pessoa optar por ler o texto poderá encontrar, por exemplo, definições como esta para o turismo de sol e praia: ''segmento realizado em áreas que proporcionem o acesso à água, sol e calor, com caráter recreativo de descanso e entretenimento''. Um comunicado postado no site afirma que a meta de qualificar 1,5 mil pessoas foi atingida em abril. Depois disso, outras mil pessoas já teriam conseguido o certificado.
O deputado André Zacharow foi procurado, mas a informação no gabinete era de que ele estava no interior do Paraná, em local incomunicável. O ouvidor da SEB, pastor Odair Braun, informou que a direção da entidade teria uma reunião, da qual sairia uma nota, mas até o fim da tarde o documento não tinha sido enviado.


