Empresariado aumenta espaço no Congresso
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terça-feira, 20 de outubro de 1998
Gerson Camarotti Agência Estado 
A bancada de empresários ganhou mais espaço na próxima legislatura do Congresso. Com a eleição de presidentes das federações das Indústrias nos Estados para a Câmara, além da reeleição do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), a bancada ganha mais força. Só na Câmara, foram eleitos 143 empresários, segundo um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoramento Parlamentar (Diap).
Entre as novas lideranças, a maior estrela será o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) Carlos Eduardo Moreira Ferreira, eleito deputado pelo PFL. Além de Ferreira, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Armando Monteiro Neto (PMDB), também conseguiu uma cadeira na Câmara. Em Minas Gerais, o empresário José Alencar (PMDB), ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), foi eleito senador.
Com essas eleições, consolida-se uma tradição que começou com o governador de Sergipe, Albano Franco (PSDB). Na época em que era presidente da CNI, Franco ocupava uma cadeira no Senado.
Mas, com a eleição dos novos líderes empresariais, uma série de denúncias marcam o pleito. São acusações que incluem, principalmente, o uso da máquina por parte de alguns desses parlamentares eleitos. No Rio Grande do Norte, por exemplo, o que houve foi compra de mandato, com o uso abusivo das estruturas do Sesi e do Senai transformadas em comitê eleitoral, acusa o deputado Ney Lopes (PFL-RN), fazendo uma referência à eleição de Bezerra. Ele lembra que o TRE suspendeu a propaganda de Bezerra na televisão, na qual mostrava ações do Senai e do Sesi, uma vez que considerou publicidade ilegal.
Acusação semelhante é feita contra Ferreira. Ele elegeu-se usando a estrutura de arrecadação das indústrias pelo Sesi, ataca o líder do PL na Câmara, deputado Valdemar Costa Neto (SP). No dia que houver um governo sério, essa mamata vai acabar, avalia Costa Neto.


