A empresária Maria do Rocio Ferreira Pedalino confirmou em depoimento ao Ministério Público (MP) ter contribuído com R$ 46.600 para a campanha à reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT), em 2004, sem ter recebido o recibo. A declaração confirma teor de ofício encaminhado por ela ao juiz da 41 Zona Eleitoral, Welington de Moura, no último dia 17, reforçando os indícios de caixa 2 na coligação partidária liderada pelo PT. A investigação transcorre no processo de prestação de contas da campanha que ainda está sob análise da Justiça Eleitoral.
O depoimento da empresária, porém, foi tomado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O promotor do Gaeco, Cláudio Esteves, afirmou que ouviu a depoente em separado ''para avaliar se os fatos se enquadram no âmbito da justiça eleitoral ou de outra infração''. Esteves não quis adiantar as conclusões a que chegou após o interrogatório.
No depoimento, a empresária reiterou que fez a doação a pedido do secretário de Obras, Aloysio Crescentini. Como se encontrava em período de dificuldades financeiras, teria utilizado os serviços de uma financeira, de propriedade do empresário Marcelo Oliveira. Maria do Rocio afirma que após cobrar de Crescentini o recibo em diversas oportunidades, sem sucesso, ouviu do secretário que deveria procurar a tesouraria da campanha porque ele próprio também não teria conseguido obter o documento. A empresária não quis falar com a reportagem da FOLHA.
Crescentini e Oliveira alegam que a acusação é inverídica e que se trata de uma armação de Bruno Pedalino - advogado Maria do Rocio e primo do falecido esposo da denunciante. Pedalino, Oliveira e Crescentini também mantêm laços familiares por meio das esposas, que são primas irmãs. O advogado Bruno Pedalino nega que as desavenças familiares tenham relação com a denúncia.
O cartório da 41 Zona Eleitoral informou à FOLHA que a declaração da empresária levou o juiz Wellington de Moura a intimar o prefeito Nedson Micheleti para se manifestar sobre a acusação. A reportagem não teve acesso ao processo porque ele tramita sob sigilo de justiça. O advogado João dos Santos Gomes Filho, que defende a coligação do PT, informou que não houve irregularidades na campanha.

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