Empresária de Curitiba desmente ex-secretário
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segunda-feira, 05 de março de 2001
Marcos Zanatta De Maringá 
A empresária Ivone Teixeira Fim, sócia e administradora da Nexo Informática, de Curitiba, disse ao Ministério Público (MP) que nunca manteve relação comercial com o ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi. No depoimento que prestou à Justiça Federal, no dia 23 de fevereiro, Paolicchi alegou ter conquistado boa parte do patrimônio que possui vendendo programas de computador para prefeituras, elaborado por uma empresa chamada Nexo, com sede no Rio de Janeiro. Paolicchi chegou a falar que recebia 30% das vendas, e que cada sistema custava em média R$ 25 mil.
O patrimônio de Paolicchi passa de R$ 15 milhões, conforme levantamento da Folha feito com base nos bens indisponibilizados pela Justiça. Além de uma aeronave Learjet e uma mineradora na região de Maringá, ele tem fazendas, imóveis e veículos importados. Paolicchi alegou ainda que recebeu outros R$ 300 mil de indenização por causa de um acidente automobilístico.
Na sexta-feira, Ivone Fim procurou o MP em Maringá, onde declarou que nunca conheceu Paolicchi pessoalmente e que em momento algum teve qualquer tipo de relacionamento comercial com ele. Através de documentação, ela mostrou que a Nexo existe desde 1986, portanto depois do que Paolicchi disse ter iniciado negócios com a empresa do mesmo nome, em 1982. Ela esclareceu ainda que nunca comercializou ou instalou programas na Prefeitura de Marechal Cândido Rondon, como alegou o ex-secretário.
Apenas em 1989, segundo declarou Ivone, a Nexo prestou serviços à Prefeitura de Maringá, tratando de todos os assuntos com o então secretário de Administração, Renato Tavares. Ela esclareceu ainda que a Nexo nunca teve sede no RJ nem funcionário com o nome de Marco Aurélio Cordeiro, como disse Paolicchi ao juiz Anderson Furlan Freire da Silva, da Vara Criminal Federal em Maringá. A empresária deixa claro que nunca destinou qualquer pagamento à Paolicchi.
Uma cópia das declarações da empresária de Curitiba foi entregue por integrantes da executiva estadual do PSDB ao Ministério Público Federal. A intenção, segundo uma fonte da Folha, é iniciar um processo para contestar as declarações de Paolicchi no depoimento do mês passado. Um dos citados pelo ex-secretário foi o senador Álvaro Dias, que comanda o partido no Paraná. Os dirigentes tucanos querem mostrar que as informações de Paolicchi são infundadas.
Os tucanos querem contestar principalmente o fato de Paolicchi ter afirmado que, por ordem do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido), ele pagou mais de R$ 200 mil pelo fretamento de uma aeronove que ficou à disposição de Álvaro durante campanha para o Senado. O fretamento foi feito junto ao empresário-doleiro londrinense Alberto Youssef. Os tucanos querem provar que o valor é exagerado e que o senador não se beneficiou do dinheiro desviado da prefeitura.
Ontem, a Folha tentou contato com o procurador federal Natalício Claro da Silva, que, segundo informações estava em viagem. O promotor José Aparecido da Cruz, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público em Maringá, não quis comentar o teor dos depoimentos de Ivone Fim.


