A Proserv Assessoria Empresarial S/C Ltda., de Londrina, recebeu de 1995 a 1997 exatamente R$ 2.974 milhões desviados da Prefeitura de Maringá em cheques administrativos do Banco do Brasil. A informação consta do depoimento do sócio-proprietário Paulo César Stinghen ao promotor José Aparecido da Cruz, responsável pelas investigações dos desvios de Maringá. O outro sócio da Proserv é Eroni Miguel Peres, cunhado do doleiro londrinense Alberto Youssef que está foragido da Justiça.
O depoimento de Stinghen ocorreu no dia 10 em Londrina com a presença do promotor Bruno Galatti. Mas as declarações estão sendo mantidas em sigilo. A Folha apurou que a justificativa para os depósitos seria um contrato assinado em 20 de maio de 1996 entre a Proserv e o empresário paraguaio Juan Carlos Garcia Bobadilha, de Ciudad del Este. A empresa seria procuradora de Bobadilla.
O contrato prevê aplicação de ‘‘recursos mobiliários’’ no mercado financeiro brasileiro, ‘‘especialmente na compra de ações, moeda estrangeira e outras atividades afins’’. A remuneração da Proserv seria de 0,25% da movimentação mensal feita pelo paraguaio. O contrato tinha validade de cinco anos (que venceria este ano), prorrogáveis por mais cinco.
Um detalhe curioso é que, segundo o contrato social da Proserv registrado no cartório de 1º Ofício de Títulos e Documentos em Londrina, o sócio Eroni Peres ingressou na sociedade em 25 de maio de 1996, apenas cinco dias antes da formalização do negócio com Bobadilla. A Folha teve acesso ao documento.
O MP também está investigando a possibilidade da Proserv ser um braço do esquema de lavagem que seria comandado pelo doleiro Alberto Youssef. O doleiro é acusado de movimentar, de maio de 98 a janeiro de 99, cerca de R$ 150 milhões em contas fantasmas das agências Centro e Tiradentes do Banestado em Londrina.
Youssef chegou a ficar preso durante 17 dias no final de dezembro, acusado de lavar, em uma das 32 contas, R$ 120 mil desviados da Prefeitura de Londrina. O mandado de prisão também atingiu o cunhado, Eroni; Antonio Carlos Neri Romero, que seria segurança de Youssef, e o servidor público municipal João Edson Danzinger, conhecido como ‘‘João Boquinha’’. Os três estão foragidos. Youssef foi solto por decisão do Tribunal de Justiça (TJ).
Em entrevista anteontem, o promotor Cruz revelou que Londrina foi um grande centro de arrecadação e distribuição dos desvios de Maringá. A entrevista foi concedida logo após o promotor ouvir o próprio Youssef – que novamente negou qualquer participação com o esquema de corrupção de Maringá.
Também na sexta-feira, a Folha tentou localizar Stinghen para confirmar as declarações prestadas ao MP. A sala onde deveria funcionar a empresa, num edifício localizado na Rua Mato Grosso, área central de Londrina, está fechada desde o final de dezembro, segundo vizinhos. No telefone residencial do empresário em Cambé, ninguém atendeu. (Colaborou Lino Ramos)

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