Curitiba - Mais um impasse pode prejudicar o funcionamento do trecho ferroviário que liga Guarapuava a Cascavel. É que a empresa Transferro Operadora Multimodal S.A. (Transferro), que alugava locomotivas e vagões para a Ferrovia Paraná S.A. (Ferropar), ex-administradora do trecho, enviou um comunicado à imprensa na última sexta-feira no qual relata problemas com a direção da Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A. (Ferroeste), que desde o dia 15 de dezembro está no comando da ferrovia. A Ferroeste passou a administrar o trecho depois que (a pedido da própria Ferroeste) a 3 Vara Cível de Cascavel decretou a falência da Ferropar.
Assinado pela assessoria jurídica da Transferro, o comunicado explica que as locomotivas e os vagões estariam sendo usados de forma irregular pela Ferroeste, já que os contratos estabelecidos com a Ferropar deixaram de valer desde a falência da empresa. A assessoria jurídica disse, porém, que, durante uma reunião realizada no último dia 3, os representantes da Transferro, ao tentarem tratar do problema, foram agredidos pelo diretor da Ferroeste, Samuel Gomes. Eles teriam sido ''insultados de forma injuriosa e expulsos da sala pelo Sr. Samuel Gomes'', conforme trecho do comunicado.
O diretor da Ferroeste disse à FOLHA que, durante a reunião, a Transferro ''agiu de má-fé''. ''Um oficial de cartório levado por eles disse que a gente teria que devolver os equipamentos dentro de 48 horas. Quiseram negociar com a faca no pescoço'', disse Gomes. No comunicado, a Transferro confirma que a notificação foi feita de forma ''extrajudicial'' durante a reunião ''com o objetivo de registrar suas posições''. Em outro trecho do comunicado, porém, a Transferro enfatiza que tem interesse em continuar fornecendo os equipamentos à Ferroeste, ''desde que realizado com base em um contrato bem definido e estável''.
Ainda segundo Gomes, a Ferropar e a Transferro são comandadas pelos ''mesmos donos'', o que teria levado as empresas a estabelecerem ''contratos superfaturados'' na locação dos equipamentos. ''É a mesma quadrilha de 'picaretas'. Os equipamentos não deveriam ser devolvidos porque o superfaturamento equivale ao valor da frota'', acusou ele. ''Mas estamos analisando com a Procuradoria Geral do Estado para saber como a gente deve tratar a questão'', acrescentou. No comunicado, a Transferro enfatiza que é uma subsidiária integral da Ferrovia Tereza Cristina S.A. (FTC), de Santa Catarina. E que os acionistas da FTC, detentores de 99,8% do capital social, são Santa Lúcia Agro-indústria, Interfinance, Vasone, Apply e Gabriel Soares Freire Jr., ''sendo que nenhum deles é atualmente, nem nunca foi, acionista da Ferrovia Paraná S.A.''.
O diretor da Ferroeste enviou um fax à reportagem com a cópia do que seria um contrato de leasing operacional estabelecido em julho de 2001 entre a Ferropar e a Transferro. No final do documento, há a assinatura de dois representantes da Transferro e de dois representantes da Ferropar. O diretor Benony Schmitz Filho assina tanto como representante da Transferro quanto da Ferropar. O advogado da FTC e da Transferro, João Marcelo Fernandes Mendes, disse que Benony Schmitz Filho pertencia às diretorias colegiadas das duas empresas. ''Na Ferropar eram quatro diretores, sendo que um deles era o Benony, que também integrava a diretoria colegiada da FTC. Mas não havia privilégios. Mesmo que ele quisesse favorecer a Ferropar eram necessários mais três votos. As decisões eram colegiadas'', argumentou o advogado. Mendes reforçou que não havia qualquer outro tipo de relação entre as duas empresas.

mockup