Até setembro, a Sercomtel precisa de R$ 7,250 milhões em dinheiro para honrar "compromissos cotidianos". Hoje a empresa não tem fluxo de caixa – seus custos são maiores que a receita – e tal desequilíbrio implica rompimento de cláusula contrato de concessão com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), permitindo que o órgão regulador decrete intervenção na empresa londrinense.
Segundo o presidente da Sercomtel, Christian Schneider, sob intervenção, a empresa perderia a concessão original em Londrina e Tamarana (85% do faturamento), praticamente todo patrimônio, que seria revertido para a União, e seria administrada por um interventor. No entanto, questionado se a intervenção é uma possibilidade real, com data para acontecer, Schneider disse que "é uma decisão administrativa da Anatel, que pode ocorrer em setembro, mais pra frente ou nem ocorrer".
Os vereadores, que participaram de reunião com Kireeff e a diretoria da Sercomtel na tarde de ontem para discutir o aporte financeiro, saíram preocupados. "Qual será o próximo passo após a Câmara aprovar o aporte? Ou seja, precisamos saber se o aporte seria capaz de tornar a empresa viável", questionou o presidente da Câmara, Rony Alves (PTB).
Como o município não tem recursos financeiros ou orçamentários para socorrer a Sercomtel, sua parte seria concedida em terrenos, somando aproximadamente R$ 8 milhões. À Copel, caberia aporte em dinheiro no valor de R$ 7,250 milhões.
O vereador Mário Takahashi (PV) acredita que o município deveria vender os terrenos para posteriormente repassar o dinheiro à Sercomtel, hipótese descartada por Schneider em razão da demora do procedimento de leilão público.
A líder do prefeito, Elza Correia (PMDB), atribuiu a atuação da telefônica aos "recursos que saíram dos caixas da telefônica e não voltaram mais em administrações anteriores", referindo-se a cerca de R$ 87 milhões usados de maneira indevida ao longo de uma década (entre 1998 e 2008), segundo auditoria realizada pela Anatel em 2008 e divulgada ontem na reunião com os vereadores. "O município e a Copel devem pagar essa dívida fazendo o aporte à Sercomtel", defendeu a vereadora.
A prefeitura deve agendar para a próxima semana uma audiência pública para discutir o aporte e o futuro da Sercomtel. Caso decida efetivamente capitalizar a telefônica, seria necessário autorização legislativa. (L.C.)

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