Curitiba - Os advogados da empresa de saneamento carioca Geoplan pretendem pedir hoje, na Justiça Federal de São Paulo, a prisão do interventor nomeado para gerir o Banco Santos, Vânio Aguiar. Segundo o diretor jurídico da empresa, Gustavo Buffara Bueno, Aguiar recusou-se a cumprir uma liminar judicial que obrigava a liberação de R$ 1,258 milhões que a Geoplan havia investido na instituição financeira. O resgate de recursos junto ao Banco Santos foi suspenso pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em agosto do ano passado, após a constatação de que o Banco Santos estava quebrado.
A liminar obtida pelo Geoplan foi a primeira a autorizar a retirada de recursos retidos no Banco Santos. No despacho, a juíza da 3 Vara Federal de São Paulo, Maria Lúcia Ursaia, determinou a liberação do resgate até às 16 horas de ontem, o que segundo Bueno acabou não ocorrendo. ''Está caracterizado o descumprimento de ordem judicial. Agora, só nos resta pedir a prisão do interventor em audiência pública com a juíza que concedeu a liminar'', salientou Bueno. A Folha tentou contato como interventor do Banco Santos, mas não obteve retorno.
A Geoplan obteve o direito de resgatar o dinheiro investido no Banco Santos contestando a resolução da CVM que suspendeu a movimentação de recursos do banco em agosto do ano passado. ''A resolução não poderia ter sido aplicada imediatamente. Ela só poderia entrar em vigor 90 dias depois da publicação, ou seja, em novembro. A nossa estratégia foi tentar resgatar o dinheiro junto ao banco entre agosto e novembro, mesmo sabendo da resolução, e depois comprovar nosso pedido junto à Justiça'', explicou Bueno. Quem não tem maneiras de comprovar que tentou um resgate nesse período, porém, dificilmente será atendido pela Justiça.
Várias pessoas físicas e jurídicas estão com dinheiro retido no Banco Santos, e não se sabe se a instituição conseguirá honrar todos os compromissos. No Paraná, os deputados estaduais criticaram duramente a direção da Fundação Copel, que apesar dos sinais de debilidade do banco decidiu manter cerca de R$ 35 milhões em investimentos. A fundação é um fundo de pensão patrocinado por várias empresas ligadas à Copel e fornece assistência aos pensionistas da estatal.
A Folha procurou o presidente da Fundação Copel para saber se uma medida judicial semelhante a da Geoplan havia sido protocolada na Justiça Federal. O presidente da fundação, Murilo Batista Júnior, avisou que a fundação só iria se pronunciar após uma reunião hoje com representantes de outros fundos de pensão que também investiram no Banco Santos. A reunião ocorre na sede da Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), em São Paulo.

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