Empresa paranaense tem endereço falso
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
A empresa curitibana Assempre Consultoria e Assessoria Empresarial, apontada na CPI dos Títulos Públicos como intermediadora na lavagem de dinheiro de operações financeiras irregulares, pode não passar de uma empresa fantasma. A Assempre está inscrita na Junta Comercial de Curitiba, mas no endereço fornecido na documentação funciona o centro comercial Marechal Auto Shopping, especializado na venda de autopeças.
Os sócios da empresa seriam Celso Augusto de Souza e Valdir Antonio Felismino. Nenhum dos dois mora na cidade. O único Celso Augusto de Souza que aparece na lista telefônica é um consultor do Sebrae, que nunca ouviu falar na empresa Assempre.
A Folha telefonou para a casa de Souza, mas uma de suas filhas, Luciana Souza, disse que o pai estava viajando. Ele embarcou ontem para Natal (RN) para uma viagem de trabalho, que deve durar uma semana. No início da noite de ontem, Souza telefonou para a Folha, de Natal (RN), preocupado com a confusão em torno de seu nome. No ano passado telefonaram diversas vezes para mim, para me fazer cobranças, disse Souza.
Segundo a lista divulgada pela CPI dos Títulos Públicos, a empresa IBF Factoring, apontada como laranja na lavagem de dinheiro dos precatórios, teria repassado R$ 34 milhões a sete doleiros paranaenses e à Assempre. A IBF passava os cheques a estes intermediários, que depositavam os dólares em bancos nacionais ou paraguaios. O dinheiro retornava como se fosse legal.
O maior cheque no valor de R$ 21,5 milhões teria sido dado à doleira de Foz do Iguaçu, Carmem Alonso Javiel. As outras pessoas de Foz do Iguaçu que receberam os cheques seriam Benício Alonso Godoy (R$ 4 milhões), Holf Kramer (R$ 200 mil), Miguel Sosa (R$ 2,2 milhões). Outros envolvidos são Humberto Almeida dos Santos (R$ 847 mil), do município de Capitão Leônidas Marques, a curitibana Ozória Bergamo Justino (R$ 169 mil) e a Assempre (R$ 5,4 milhões). Ozória não tem telefone e não foi localizada pela Folha. Em Foz do Iguaçu, a informação é que Holf Kramer teria morrido há um mês em um acidente de motocicleta.
O delegado Luiz Melzer, da Polícia Federal, afirmou que até o início da noite de ontem ele não tinha recebido o pedido para investigar as sete pessoas e a Assempre.


