Empresa impedia auditoria na bingueira
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de abril de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O delegado Sérgio Cirino tomou ontem o depoimento do responsável pela auditoria nos sorteios do Totobola, Jucimar Valin Nunes. Nunes trabalha na Audiacto Auditores Independentes, empresa escolhida pela própria Kolmac para fiscalizar a extração dos números do telebingo.
Segundo Nunes, o contrato firmado com a Kolmac não previa a fiscalização da máquina utilizada na extração dos números. O auditor esclareceu que sua participação limitava-se a verificar o número de bolas colocadas na bingueira e checar se o sorteio televisionado era de fato o que havia sido pré-gravado. Para Cirino, o depoimento de Nunes comprova que a Kolmac estaria agindo de má-fé ao elaborar um contrato que não permitia uma auditoria mais aprofundada na bingueira.
O secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, irá divulgar hoje um segundo laudo sobre o sistema de extração do Totobola. O primeiro laudo foi realizado por técnicos da Companhia de Informática do Paraná (Celepar). Já o laudo que será divulgado hoje foi elaborado por peritos do Instituto de Criminalística.
Ontem, a Kolmac divulgou através de nota oficial que as acusações de irregularidades no Totobola são todas infundadas. Na nota, a empresa ressalta que ''a sorteadeira e o software utilizado nos sorteios sempre estiveram à disposição das autoridades para suas devidas verificações''.
A nota também afirma que o depoimento do ex-sócio da Kolmac Carlos Rodolfo Zicavo foi ''tendencioso e movido por interesses pessoais, fato esse que a Justiça comprovará''. A Kolmac destacou que em um ano e meio de operação no Paraná, nenhuma queixa de compradores de cartelas foi registrada junto às autoridades oficiais.


