A Câmara de Vereadores de Londrina aprovou ontem em primeiro turno dois projetos de lei que alteram o zoneamento no município e, de quebra, favorecem a implantação da empresa Global Energy and Telecommunication Ltda (GET) na cidade. O grupo ligado ao setor de tecnologia e com sede em Cambé já havia sido beneficiado nas últimas sessões de 2005 com a doação de uma área superior a 11 mil metros quadrados, avaliada em R$ 1,2 milhão, na Gleba Palhano, mas esbarrou na concessão do alvará para a construção da sede. Com isso, os vereadores querem agora alteração nas regras de ocupação do solo que tire os obstáculos legais para o estabelecimento da GET.
  Os dois projetos que tratam da questão foram apresentados pelo vereador Flávio Vedoato (PSC). Aprovados, foram encaminhados para emissão de pareceres do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Conmsema), Conselho Municipal de Planejamento Urbano (CMPU) e Secretaria Municipal de Obras.
  Pelas informações repassadas ao Legislativo, a Secretaria de Obras negou alvará de construção à GET porque o local, classificado como Zona Comercial 3 (ZC-3), não pode comportar indústrias de risco ambiental leve. Além de uma série de empreendimentos assim avaliados e listados na lei vigente, isso engloba ainda qualquer empresa com área construída superior a 2,5 mil metros quadrados – item que o projeto exclui. A GET pleiteia alvará para mais de 6,5 mil metros quadrados de construção.
  Já o segundo projeto permite a implantação de indústria de risco leve na ZC-3. Nesse caso, o CMPU emitiu parecer conforme o qual a proposta abre precedente para instalação de indústrias poluidoras em áreas já consolidadas no perímetro urbano.
  Vedoato negou que a iniciativa represente futuro risco ambiental e defendeu a aprovação dos projetos para que a GET consiga financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e, ‘‘com isso, gere pelo menos 250 empregos em Londrina’’. ‘‘O setor de Obras teria de ter conhecimento de que a empresa não é poluidora. A medida que tomamos agora é de cuidado, mesmo porque essa será uma nova discussão para a revisão do Plano Diretor’’, argumentou.
  No dia em que foi aprovado, o secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira da Silva, admitiu que o Executivo tinha pressa para aprovação do projeto de doação da área à GET. Ontem, Silva evitou falar sobre a negativa do alvará, mas assegurou que analisaria hoje a questão junto à administração municipal.

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