Curitiba - O empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, investigado pela CPI dos Sanguessugas acusado de manter empresas fantasmas em todo o Brasil para participar e ganhar licitações direcionadas para a compra de ambulâncias e veículos de saúde, tinha cadastro na Junta Comercial do Paraná e nos arquivos do Departamento de Licitações e Concorrências Públicas do governo do Estado. A Klass Comércio e Representações Ltda, uma das empresas da família de Vedoin, participou de licitações no Paraná e está com o cadastro vencido desde o dia 30 de outubro de 2004. Ela não aparece como vencedora de nenhuma das 12 licitações realizadas para a aquisição de ambulâncias entre 2002 e 2005.
A Klass (que é empresa de Mato Grosso) também aparece em licitações na Prefeitura de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). Ela venceu duas licitações para a compra de ambulâncias entre janeiro e fevereiro de 2003. Ela disputou as concorrências públicas com outra empresa esta curitibana: Vedovel Comércio e Representações Ltda. A Vedovel, de propriedade da família de Vedoin, tinha sede fantasma em Curitiba e era usada para dar aparência de legalidade nas concorrências. Para vencer as licitações, Vedoin contou que pagava propina a políticos que facilitariam a compra de ambulâncias superfaturadas (senadores, deputados federais e prefeitos).
A Controladoria Geral da União (CGU) divulgou recentemente um levantamento de irregularidades verificadas na compra de ambulâncias no Paraná. Foram registradas falhas licitatórias como direcionamento da licitação, erros nos processos, falhas na aquisição e entrega de ambulâncias, superfaturamento. O levantamento, feito por amostragem, aponta os municípios de Guaraniaçu, Doutor Ulysses, Manoel Ribas, Juranda e Ortigueira com contas e licitações irregulares. Nenhum deles foi divulgado como município envolvido na máfia dos sanguessugas.
A Folha pesquisou a página de licitações e pregões eletrônicos do governo do Estado. Entre 2003 e 2005 foram realizadas cinco licitações (concorrência pública ou pregão eletrônico) para a compra de ambulâncias equipadas, simples para transporte médico e de equipamentos tipo Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Teriam sido investidos R$ 28,2 milhões. Outros R$ 950 mil foram repassados pelo Ministério da Saúde (através da presença do então ministro Humberto Costa) para municípios paranaenses que queriam fortalecer o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Receberam recursos os municípios de Curitiba, Londrina, São José dos Pinhais, Cambé, Ivaiporã, Maringá, Sarandi, Paissandu, Ponta Grossa, Castro, Apucarana, Arapongas, Foz do Iguaçu e Guarapuava.

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