Empresa de Youssef movimentou R$ 51,5 mi sem identificação
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de outubro de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - A empresa GFD Investimentos, controlada por Alberto Youssef, e apontada pelo Ministério Público Federal (MPF) como uma das empresas de fachada utilizadas pelo doleiro para lavar dinheiro, e também para intermediar o pagamento de propinas a partidos e políticos, movimentou por meio de suas duas contas bancárias, de janeiro de 2009 a dezembro de 2013, R$ 51,5 milhões em operações envolvendo CPFs, CNPJs e nomes de titulares não identificados pelas instituições financeiras.
As informações constam de uma análise feita pela Secretaria de Pesquisa e Análise da Procuradoria Geral da República (PGR), em colaboração com a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná, que atua nas investigações da Operação Lava Jato, que mira um mega esquema de lavagem de dinheiro, desde março deste ano.
Descontando tarifas, impostos e outras movimentações que não envolvam entrada ou saída de dinheiro das contas para terceiros, foi identificado um crédito de R$ 78,8 milhões nas contas da GFD durante quatro anos. Deste total, R$ 26,3 milhões (33% do total) não tiveram depositantes identificados. Também conforme o levantamento realizado, a empresa efetuou um total de R$ 77,3 milhões em pagamentos, sendo que R$ 25,3 milhões foram para destinatários não identificados pelas autoridades bancárias.
Os investigadores suspeitam que parte destes valores tenham sido utilizados para o pagamento de propinas a agentes públicos. Segundo o MPF, "a omissão de dados dos beneficiários dos recursos dificulta a identificação do fluxo de recursos e transgride os regulamentos do Banco Central, ao deixar de identificar operações com valor maior ou igual a R$ 10 mil". Ainda, conforme a Procuradoria, "as operações não identificadas serão alvo de um relatório complementar".
Logo no início da Lava Jato, as investigações apontaram que outra empresa de fachada do doleiro, a MO Consultoria e Laudos Estatísticos, teria movimentado quase R$ 90 milhões durante 2009 e 2013. Conforme os trabalhos do MPF e da Polícia Federal foram avançando, foi constatado que a GFD, oficialmente, estava registrada no nome do advogado Carlos Alberto Pereira da Costa; e que quem respondia pela MO era Waldomiro de Oliveira. Os dois são réus em processos que tramitam na Justiça Federal do Paraná.


