'Empresa de uniformes pagou propina a Barbosa', diz Karin
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quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Edson Ferreira e Loriane Comeli <br>Reportagem Local 
A ex-secretária de Educação de Londrina Karin Sabec Viana acusou o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT) de ter recebido pelo menos R$ 60 mil de propina de José Lemes, representante da empresa G8, que forneceu uniformes escolares para a prefeitura em 2011 e 2012. Lemes foi preso na última terça-feira em decorrência de investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que começou há dois meses. O ex-prefeito é um dos investigados no inquérito que levou à prisão mais duas pessoas e resultou no afastamento do ex-secretário de Gestão Pública Fábio Reali. Depois da cassação de Barbosa, a investigação, que estava no Tribunal de Justiça (em razão do foro privilegiado), voltou a Londrina.
Segundo o depoimento de Karin ao Gaeco, prestado no dia 3 de julho, José Lemes teria repassado um envelope com R$ 50 mil para que ela entregasse a Barbosa. Seria propina relativa ao contrato de 2011. ''Posteriormente a depoente questionou José Lemes e ele respondeu que teria o valor de R$ 50 mil destinado ao prefeito para pagar saldo de despesas de campanha'', diz trecho do inquérito.
A ex-secretária vai adiante: ''O proprietário da empresa G8, Marcos Ramos, chegou a mencionar à declarante que nas contratações com a Prefeitura de Londrina, 12% do valor do contrato seria repassado ao prefeito Barbosa Neto e 5% do valor do cantrato para o secretário de Educação, porém, como a declarante não estaria recebendo a parte dela, o prefeito estaria recebendo os 17%, perfazendo o montante total de R$ 60 mil''. Karin também declarou aos promotores que Ramos lhe confidenciou que Barbosa teria ido a Boituva (SP) com Marco Cito para encontrá-lo ''a fim de buscar um valor maior'' para ''acertar'' com os vereadores e ''resolver o caso da Centronic''.
Em mais de doze páginas de depoimentos, ela também afirmou que as licitações eram propositalmente deixadas para a última hora para que o município pudesse firmar contratos emergenciais, escolhendo determinadas pessoas ou empresas. Em outros casos, as licitações eram direcionadas, ''inclusive com a retirada ou substituição de documentos''. Segundo ela, isso aconteceria com ''praticamente a totalidade dos procedimentos licitatórios''.
Lindomar dos Santos
Karin Sabec disse ainda que o dono da G8 também lhe confidenciou ter pago R$ 150 mil ao então secretário de Fazenda, Lindomar Mota dos Santos, que deixou a pasta em 2011 e voltou a ocupar a pasta no governo atual, de Joaquim Ribeiro (PSC). O montante seria para conseguir liberar a última parcela do contrato firmado em 2011.
Santos disse que está ''tranquilo'' quanto às declarações de Karin Sabec. ''Não vi essas declarações, mas pelo que você está me dizendo posso garantir que nunca houve essa de segurar pagamento para ganhar comissão, em hipótese alguma.''
A retenção da parcela teria ocorrido por problemas verificados pelos técnicos do município, mas o secretário não tinha em mãos os valores nem quais problemas foram verificados na época. Ele reconheceu, porém, ter se encontrado na prefeitura com o representante da G8, José Lemes. ''Falei com ele na presença do meu assessor.'' Para Lindomar, a presença de fornecedores buscando liberação de pagamentos na administração é ''natural''.
Karin Sabec (PR) é candidata a vereadora pela coligação ''Um Novo Caminho para Londrina'', formada pelas siglas PR, PRB e PP, partido de Marcelo Belinati, que disputa a prefeitura. Barbosa Neto também disputa a prefeitura pelo PDT.


