Empresa de Marcos Valério é desativada
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domingo, 02 de outubro de 2005
Eduardo Kattah<br> Agência Estado 
Belo Horizonte - No centro do atual escândalo político, a DNA Propaganda, que ostentava o título de maior agência de publicidade de Minas Gerais, vai encerrar suas atividades, segundo informou o presidente da empresa, Francisco Castilho. A DNA tinha como sócio o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza - a rescisão do contrato está sendo concluída - e tombou depois que se viu envolvida na crise do ''mensalão'' e denúncias de financiamentos irregulares a campanhas eleitorais.
''O futuro da DNA é sombrio, se é que há futuro. A DNA perdeu, praticamente, todos os seus clientes. A empresa está sendo desativada'', admitiu Castilho, em entrevista ao Grupo Estado, por e-mail, na última semana. Dos 76 funcionários da DNA em Belo Horizonte, pelo menos a metade não trabalha mais na agência, que já havia demitido 34 de seus 39 funcionários da filial de Brasília. Os empregados restantes estariam cumprindo aviso prévio.
Fundada em 1982, a DNA apresentou um crescimento acumulado de 107,3% nos últimos quatro anos. Apesar do fim das atividades, a marca e o CNPJ serão mantidos, pois a agência responde a processos na Justiça. A empresa, por exemplo, contesta judicialmente uma multa de R$ 63,2 milhões aplicada pela Receita Federal e sofre ação de execução movida pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que cobra dívidas previdenciárias no valor total de R$ 9,608 milhões.
A Justiça Federal em Minas Gerais havia determinado o bloqueio das contas bancárias da DNA e que os créditos a receber pela agência fossem depositados em juízo para a substituição, a pedido do INSS, da garantia dada para cobrir as dívidas previdenciárias - seis propriedades rurais na Bahia, no nome da agência, suspeitas de serem fictícias. A 23 Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte acatou recurso apresentado pela DNA, retendo apenas o bloqueio da comissão da empresa, que varia de 8% a 15% do contrato publicitário.
Clientes - Desde o início da crise política, a agência mineira perdeu seus principais clientes. Os contratos com o Banco do Brasil, Eletronorte e Ministério do Trabalho foram rompidos. Mais recentemente, a Telemig Celular, um dos maiores clientes privados da carteira da DNA, anunciou que encerrou o contrato que mantinha com a agência.
O governo de Minas Gerais chegou a anunciar a suspensão do contrato publicitário da DNA com Secretaria de Saúde, e outras pastas estaduais, no valor global de R$ 3,6 milhões. A agência, porém, informou que a conta continuou sendo atendida, mas o contrato está terminando.
DNA e SMP&B Comunicação participaram da nova licitação para o atendimento da conta da administração direta do governo estadual - no valor ampliado de R$ 55 milhões -, mas não ficaram entre as seis selecionadas.


