Empresa de fachada de Dirceu recebeu R$ 29,2 milhões
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terça-feira, 04 de agosto de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba Informações levantadas pelos investigadores da Lava Jato indicam que pelo menos 46 empresas realizaram depósitos que somam R$ 29,2 milhões para a JD Assessoria e Consultoria S/A, entre os anos de 2006 e 2013. Entretanto, conforme aponta as investigações, a empresa, que era de propriedade do ex-ministro José Dirceu até o final do ano passado e que atualmente está desativada, não prestava serviços de consultoria ou assessoria.
A JD, inclusive, foi citada como uma "central de recebimentos de pixulecos (propina)", pelos delegados que atuam na operação. Conforme a Polícia Federal, o ex-ministro está sob investigação por suposto recebimento de propinas disfarçadas na forma de consultorias, por meio de sua empresa. Todos os depósitos realizados em favor da empresa de Dirceu também serão alvo de investigação da PF.
Esses dados fazem parte do pedido de quebra de sigilo fiscal e bancário da JD Assessoria e foi fornecido pela Receita Federal. Do total de empresas que realizaram depósitos, aproximadamente R$ 7 milhões foram feitos por empreiteiras já investigadas dentro da Lava Jato (UTC Engenharia, OAS, Galvão Engenharia, Camargo Corrêa e Engevix).
Além dessas, outra empresa que pagou pelos "serviços" de José Dirceu foi a Jamp Engenheiros Associados Ltda, que está em nome do empresário e operador do esquema de corrupção, Milton Pascowitch. Em depoimento de sua colaboração premiada, Pascowitch confirmou que a Jamp não prestava serviço e era utilizada para fazer repasse de propina. A Jamp pagou, no total, R$ 1,4 milhão para a JD entre os anos de 2011 e 2012.
A lista de empresas que fizeram pagamento para a JD também inclui grandes empresas de diversos setores que, até o momento, não tinham sido alvo da Lava Jato. A EMS S/A, empresa farmacêutica, depositou R$ 8,4 milhões entre 2009 e 2014, ou seja, inclusive quando José Dirceu já estava recolhido na prisão. E a Monte Cristalina Ltda. (holding com carteira de negócios em vários setores) que pagou R$ 1,3 milhão, também entre 2009 e 2014. Outros clientes da JD Assessoria que aparecem nos dados da Receita são a Ambev (cervejaria), a Parmalat (laticínio) e a Brasilinvest Empreendimentos e Participações.
No despacho em que deferiu a prisão preventiva de Dirceu, o juiz Sérgio Moro destacou que fica difícil justificar depósitos por consultoria ou intermediação de negócios após 2012, devido à condenação do ex-ministro dentro do processo do Mensalão.
"Afigura-se bastante difícil justificar esses depósitos por consultoria ou intermediação de negócios após 17/12/2012. Afinal, não é crível que José Dirceu, condenado por corrupção pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, fosse procurado para prestar serviços de consultoria e intermediação de negócios após 17/12/2012 e inclusive após a sua prisão. Em realidade, parece pouco crível que fosse procurado até mesmo antes, pelo menos a partir do início do julgamento da Ação Penal 470 pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em meados de 2012. A realização dos pagamentos após 17/12/2012 é mais um indicativo de que os pagamentos não consistiam em contrapartida à consultoria ou à intermediação de negócios reais", destacou o magistrado.


