Empresa atribui críticas a resistência à terceirização
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sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Janaina GarciaReportagem Local 
Dona do maior contrato das terceirizações firmadas pela administração direta, a empresa SP Alimentação acaba de renovar por mais 12 meses com a Prefeitura de Londrina em meio a uma onda de questionamentos sobre a qualidade e a quantidade da merenda fornecida a escolas e creches. Ontem, a diretora da regional Sul do grupo, Cibele Cristina dos Santos, atribuiu as críticas a supostos desconhecimentos da dinâmica contratual e resistência à terceirização do serviço, que antes era realizado pelo sistema de autogestão.
A diretora rebateu declarações de membros do Conselho de Alimentação Escolar (CAE) dadas anteontem na Câmara de Vereadores. Na ocasião, a presidente do CAE, Andreliane Godoy, disse que há meses o órgão vem recebendo queixas de diretores de escolas quanto à qualidade da merenda e dos alimentos utilizados para sua produção. Além de carne estragada ou com excesso de sebo, por exemplo, foram relatados ainda casos de localização de ratos em meio aos estoques em uma das escolas. Foi apresentada também denúncia de uma professora do Caic Zona Oeste segundo a qual a SP teria fornecido 13 mil refeições na unidade, em junho, mas recebido de fato por 26 mil.
De acordo com Cibele, a empresa tem como padrão a checagem de todas as eventuais queixas que cheguem ao serviço prestado. A respeito de suposta carne estragada, informou que o caso fora relatado mês passado pela diretora de uma escola, mas salientou que laudos de exames feitos pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) apontaram normalidade. ''Conversamos com o Conselho sobre essa e outras situações pontuais que ele nos apresentou, mas que foram resolvidas'', disse.
Segundo a diretora, que coordena todos os contratos da SP nos estados do Sul - o maior é o de Londrina, de R$ 10,4 milhões -, os cardápios elaborados pela empresa passam por uma equipe de 14 nutricionistas e, por fim, à nutricionista da Prefeitura. ''Qualquer troca de cardápio só é feita se a administração a autoriza, já que tudo que é feito tem que respeitar o edital - de incidência de determinado produto ao valor calórico da refeição'', afirmou.
A respeito das críticas sobre higiene, Cibele admitiu que em uma escola da Zona Sul, este ano, foram necessárias várias inspeções para eliminação de ratos. Entretanto, ela nega que o ocorrido tenha relação com o serviço da SP. ''Ali era um problema sanitário nos entornos da unidade, resolvido com o trabalho externo da Vigilância Sanitária e da Prefeitura.''
Na avaliação da executiva, que é formada em Nutrição, falta conhecimento das normas do edital e das diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). ''Muitas vezes criticam, mas o CAE não tem sequer uma nutricionista; creio que deveria ter. Se não, qual o critério para as reclamações, se elas não são empíricas?'', questionou, para concluir: ''Ainda há resistência à terceirização''.
Já sobre o número da merenda no Caic, em junho, Cibele rebateu que tenha havido fraude. ''Se a Prefeitura informou errado a quantidade servida, e prova isso, nada impede a ela que nos peça desconto de eventual somatória errada.''


