Empresa alega boa-fé em recebimentos
Outra empresa que participou da obra da Mineradora Rainha, a Ingafios, de Maringá, aparece na lista como beneficiária de dois cheques, que chegam a R$ 20.964,14. Construímos a parte elétrica da mineradora e recebemos mesmo estes dois cheques, conta o empresário Moacir Honório, diretor da Ingafios. Ele calcula que de agosto de 98 até o final da obra, em meados do ano passado, recebeu cerca de R$ 100 mil. Recebi de boa-fé e não tinha noção de onde vinha o dinheiro, diz.
Criticando a forma como Paolicchi levantava recursos para investir e viver, Honório conta que nem conhecia Corrêa, e que aceitou os cheques porque estavam com fundos. Ele lembra ainda que às vezes o pagamento atrasava alguns dias, e Paolicchi ou assessores dele alegavam que teriam que vender bois para pagar os atrasados. Não imaginava nunca o que estava acontecendo, lamenta.
Um cheque da conta de Corrêa, que ele mesmo disse em depoimento na Justiça Federal era administrada por Paolicchi, pagou também parte de um serviço prestado pela Augros do Brasil para a Mineradora Rainha. Emitido em dezembro de 1998, o cheque de R$ 30 mil é referente a um contrato entre as duas empresas. O advogado da Augros, Airton Martins Molina, explica que a multinacional francesa produz embalagens plásticas, e desenvolveu moldes para as garradas utilizadas pela Rainha.
Os documentos contábeis, segundo Molina, mostram que a Augros prestou serviços para o desenvolvimento do molde de frascos. O contrato, de R$ 150 mil, foi pago em cinco vezes. O valor citado é referente a uma das prestações, o que pode comprovar a nota fiscal 000049 de 31 de dezembro de 1998, diz o advogado. A concessionária Audi Ciavena, de Londrina, também consta da lista como tendo recebido um cheque de R$ 20 mil em janeiro do ano passado.
O diretor da empresa, Luiz Fernando Piscinin, disse que Paolicchi comprou um veículo na concessionária. Ele não quis revelar o valor e a época da venda, limitando-se apenas a informar que o carro era um modelo A4. Paolicchi era cliente também da Loja de Tecidos Bandeirantes, em Maringá, onde Corrêa deixou dois cheques totalizando R$ 12,4 mil. A dona da loja, que se identificou apenas como Manoela, não soube dizer o que ele comprava, mas as compras eram sempre através de assessores, e que os valores das contas são altos porque Paolicchi sempre atrasava o pagamento.
A Líder Taxi Aéreo é a principal empresa beneficiada pelos cheques da lista. Foram quatro cheques durante os cerca de 120 dias levantados, que chegam a R$ 53,8 mil. A Folha tentou falar com representantes da empresa inicialmente em São Paulo, onde foi informada que a questão deveria ser verificada com a unidade de Belo Horizonte. Durante toda a sexta-feira a Folha tentou falar com um dos diretores, identificado apenas como Alexandre e único indicado pelos funcionários para falar. Ele não atendeu aos vários telefonemas nem retornou a ligação até o início da noite de sexta-feira.





