Curitiba - Os depoimentos de três testemunhas, ontem, podem complicar a situação do governador Roberto Requião (PMDB) em uma ação por danos morais movida contra ele pela publicitária Cila Schulmann. O empreiteiro Darci Fantin negou que a DM, empresa de que era proprietário, tenha repassado R$ 10,7 milhões recebidos do Departamento de Estradas e Rodagens (DER) para que a publicitária cobrisse gastos da campanha de Beto Richa (PSDB) ao governo do Estado, em 2002.
Na audiência anterior, Requião afirmou que teria sido procurado por Fantin depois que uma liminar judicial tornou indisponíveis os bens da DM. A liminar foi concedida em uma ação proposta pelo governo do Estado. No encontro, Fantin teria contado ao governador que o dinheiro havia sido usado para o pagamento de despesas da campanha de Richa. Requião afirmou ainda que, posteriormente, Fantin teria feito o mesmo relato ao ex-procurador-geral do Estado Sérgio Botto de Lacerda e ao secretário especial de Relações Internacionais e Cerimonial, Jacir Bergmann II.
Ontem, os dois também prestaram depoimentos ao juiz Marcos Vinícius Demchuk, da 16 Vara Cível de Curitiba. Ambos afirmaram que, no ano passado, Fantin teria procurado Bergmann para que conseguisse uma reunião com Lacerda. Bergmann, então, teria marcado um almoço entre eles. No encontro, Fantin teria citado o pagamento feito pelo DER à DM. ''Mas não entrei em detalhes, porque eu já sabia do assunto'', afirmou Lacerda, acrescentando que soube das denúncias por meio de conversas com o governador.
Darci Fantin afirmou que sequer houve o almoço. Disse também que jamais falou ao governador que teria entregue o dinheiro para Cila Schulman. Segundo o empreiteiro, quem abordou o assunto foi Requião. ''O Requião ligou para mim logo que assumiu (em 2003) e disse que eu, como empreiteiro, teria recebido dinheiro no apagar das luzes (do governo Jaime Lerner), cerca de R$ 10,7 milhões, que teriam sido passados para a campanha'', afirmou. ''Mas isso não é verdade.''
O juiz determinou um prazo até 11 de maio para que os advogados de Cila e Requião apresentem por escrito suas alegações finais.

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